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Editorial*

Fila da morte

As filas que hoje se formam em condomínios rancheiros para confraternizações irão se transformar em espera por um leito de UTI

Você comemoraria a morte da sua mãe, do seu pai, da sua avó? Pois é assim que se comportam as pessoas que fazem vista grossa para o pior momento da pandemia de Covid-19, que se arrasta há quase um ano.

Vidas importam? Teoricamente, sim. Mas na prática, não. Hospitais lotados, pacientes sem sedativos para intubação, casos e mais casos notificados dia após dia. Sem falar nas mortes. O vizinho que morreu, o pai do amigo que faleceu, a avózinha que não saía de casa também se foi.

E o que se vê é um mundo paralelo, onde o que vale é a cerveja, a festa, a aglomeração. As filas que hoje se formam em condomínios rancheiros irão se transformar em espera por um leito de UTI, aquela fila na qual o rico e o pobre são iguais, pois dinheiro de nada vale nesta hora.

Para aqueles que desdenham da pandemia e acreditam que terão um leito nos hospitais de alto gabarito, na capital, o alerta é uníssono entre os médicos: o sistema hospitalar já está em colapso, não há vagas.

Entretanto, nem mesmo este grito das autoridades de saúde é suficiente para fazer a população acordar. Nos deparamos com confraternizações nos ranchos, festas em áreas de lazer, churrascos na casa do amigo, celebrações estas que se tornarão macabras nos próximos dias, pois a morte está próxima.

Já não estamos naquela época em que os mortos estavam distantes. Agora, eles estão no local de trabalho, na igreja do bairro ou no boteco ao lado. Os mortos são amigos, são vizinhos, são o tio, o avô, o pai, o irmão, o sobrinho.

Por mais capacidade que os hospitais possuam de aumentar o número de leitos, faltam insumos, medicamentos, sedativos para intubação. Faltam profissionais capacitados.

É preciso consciência e atitude. Muitos dizem que se compadecem com os trabalhadores da saúde que estão na linha de frente desta pandemia. Mas isso é hipocrisia. Se houvesse empatia, não haveria aglomeração nem festa neste momento de pânico, de incertezas.

É tempo de reflexão. De escolha pela vida ou pela morte. Momento de saber que o caos antes longínquo, agora está à nossa porta. Você escolhe morrer ou viver? Preservar a vida ou matar?

Não é momento de ir para a academia, para a igreja, para a escola e muito menos para os ranchos, para as baladas, para os bares que funcionam clandestinamente.

Cabe a você a decisão. O tempo, hoje, nos pede calma, paciência, consciência. Aos que optam pela vida, o isolamento social e o tão batido e cansativo “fique em casa” são as alternativas que prezam pela vida.

Deixe para celebrar quando as UTIs estiverem desocupadas, quando não houver mais a luta pela vida diante de um vírus devastador. O que vale, agora, é a sobrevivência. A maior prova de amor que podemos dar por aqueles que amamos é preservá-los com o distanciamento e cuidados sanitários. Fique em casa.

*Editorial é um texto de cunho jornalístico e opinativo que serve para apresentar o posicionamento crítico do jornal. Desse modo, é um texto que sintetiza, em certa medida, o posicionamento da equipe.

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