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Economia

Região de Araçatuba exportou US$ 252,8 milhões para a China em 2020

País asiático comprou açúcar e carne congelada de municípios da região administrativa de Araçatuba

O levantamento de dados foi feito pelo economista e pesquisador em economia local e regional, professor Marco Aurélio Barbosa de Souza.

Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Economia evidenciam o expressivo crescimento das compras chinesas na região em 2020 comparado ao ano de 2019. Andradina, Valparaíso, Penápolis e Araçatuba, que são as principais cidades exportadoras para o mercado da China, alcançaram o valor exportado de US$ 252,8 milhões.

Neste contexto, mesmo o cenário de recessão, enfrentando pela economia internacional, em decorrência da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), não domou o apetite chinês por matérias-primas e commodities agrícolas regionais.

O levantamento de dados foi realizado pelo economista e pesquisador em economia local e regional, professor Marco Aurélio Barbosa de Souza.

Entre os municípios, o destaque em termos de crescimento percentual, foi a cidade de Valparaíso, cujas exportações aumentaram 531,3% em 2020 ante 2019. As empresas locais exportaram US$ 32,9 milhões para o mercado chinês no ano passado, incrementando em US$ 27,7 milhões as vendas em comparação ao ano anterior. O principal produto exportado foi açúcar.

Em segundo lugar, está Araçatuba, com crescimento de 400% das exportações para a China. Em 2019, as exportações para o país asiático totalizaram US$ 1.9 milhões de dólares e, em 2020, ampliaram para US$ 9.5 milhões. O acréscimo em termos nominais foi de US$ 7,6 milhões. Entre os produtos destacaram-se as exportação de açúcar com US$ 4,8 milhões e soja US$ 4,5 milhões.

Na cidade de Andradina, as vendas aumentaram 7,9% alcançando o valor de US$ 184 milhões de dólares. Houve crescimento de 46,6% entre 2019 e 2020. O principal produto exportado foi carne bovina congelada. Atualmente, 46,6% das exportações locais tem como destino o país asiático.

Penápolis também se destaca nas exportações para a China. Todavia, foi o único entre os município analisados, que reduziu suas vendas para o mercado chinês no ano passado. A queda foi de 19% em comparação com 2019. As exportações em 2019 totalizaram US$ 32,6 milhões e, em 2020, recuaram para US$ 26,4 milhões, declínio de US$ 6,2 milhões.

Apetite chinês

Apesar de não pertencer à Região Administrativa de Araçatuba, a cidade de Promissão é exemplo do apetite e da concentração das exportações em direção a China. Em 2020, 84,6% das exportações tiveram como destino o país asiático. Foram US$ 317 milhões de dólares, crescimento de 70,9% ante 2019, representando incremento de US$ 131 milhões nas exportações locais. O produto exportado foi carnes congeladas.

Diversificação

O pesquisador explica que a ampliação das exportações para a China tem duplo efeito para a economia (micro e macroeconômico). Em termos regionais, o crescimento das vendas no mercado externo, traz resultados favoráveis para as economia locais, movimentando as estruturas produtivas e o sistema econômico, com reflexos na geração de empregos e renda. Ou seja, as exportações são elementos que alavancam o desenvolvimento local.

Por outro lado, do ponto de vista macroeconômico, a escassez de algumas matérias primas e commodities agrícolas, desencadeou no ano de 2020, a alta dos preços no mercado interno acelerando a inflação, em especial, no setor de alimentação, cujo resultado foi o aumento do índice oficial de inflação brasileiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumido Amplo). O crescimento inflacionário impacta no poder aquisitivo das famílias, sobretudo as mais vulneráveis.

Destaca-se ainda que a ampliação da concentração das exportações nacionais no mercado chinês, através das exportações de commodities (agrícolas e metálicas), traz preocupações ao processo de inserção internacional da economia brasileira. Essa situação gera vulnerabilidades em decorrência da dependência da economia Chinesa, da volatilidade do preços das commodities, da necessidade de diversificação de mercados e agregação de valor nas exportações nacionais.

Analisando a região, outro aspecto importante, é a reduzida quantidade de empresas inserida no mercado internacional. As cidades citadas contaram com 54 empresas exportando em 2020. E, entre elas, as 6 primeiras do ranking, concentram mais de 90% das exportações.

Dessa forma, há grande potencial de aumento desse número, principalmente, com a inserção de micro e pequenas empresas, que podem contribuir com a diversificação das exportações, aumento do número de países compradores, e com a agregação de valor através das exportações de bens industrializados de baixo, médio e alto conteúdo tecnológico. Esse é, sem dúvida, um caminho importante e interessante para fomentar o desenvolvimento regional, reduzindo os impactos locais dos ciclos econômicos da economia brasileira.

Principal parceiro

O país asiático continuou sendo o principal parceiro comercial brasileiro em 2020 e ganhou ainda mais participação: do total vendido para o exterior, 33,4% foi para a China, ante 29,2% em 2019. A China contribuiu também com US$ 36,6 bilhões do superávit da balança comercial do país que foi de US$ 51 bilhões em 2020, segundo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Em 2020, as exportações brasileiras totalizaram US$ 209,9 bilhões e as importações 158,9 bilhões, resultando em saldo comercial de US$ 51 bilhões. Exportações e importações apresentaram queda em comparação a 2019, tendo as exportações recuado 6,1% e as importações de 9,7%.

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