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POLÊMICA

Bolsonaro provoca Bonner: “Conseguimos os insumos da China”; Doria desmente

Enquanto o Planalto reivindica a autoria dos esforços para fazer chegar mais doses, Doria desmente e diz que a importação não foi realização do governo federal

O presidente Jair Bolsonaro comemorou, nesta segunda-feira (25/01), os esforços para a obtenção de insumos chineses para a produção da Coronavac e para as vacinas da Índia.

“Queria falar para o William Bonner que conseguimos os insumos da China, além das vacinas da Índia. Ele falou que nós não tínhamos… que as relações estavam estremecidas. William Bonner, tu continua sendo um sem-vergonha, sem palavra, tá ok?”, disparou Bolsonaro.

“Semana passada o William Bonner falou que a gente não ia conseguir nada porque eu cortei relação com a China e com a Índia. Pô, os caras falam uma besteira dessa. Dois dias depois resolvemos tudo.É descarado o negócio. Não dão uma distorcidinha não, os caras inventam”, completou.

A luta pela obtenção das doses ocorre em meio a um imbróglio entre o governo paulista e federal. Enquanto o Planalto insiste em reivindicar a autoria dos esforços para fazer chegar mais doses da CoronaVac ao Brasil, João Doria reitera que não houve, por parte das instâncias federais “participação na liberação de insumos chineses para a vacina do Butantan”.

Foto: Marcos Corrêa/PR

O governo paulista divulgou nota na noite desta segunda-feira (25/01) negando que o governo federal tenha tido participação na liberação dos insumos para a produção de 5 milhões de doses da CoronaVac, conforme anunciado mais cedo por Bolsonaro no Twitter.

“Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5.400 litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto e pelo governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado”, diz a nota.

Ainda de acordo com o governo paulista, a negociação é contínua e nunca foi interrompida, “mesmo quando o governo federal, através do presidente da República, anunciou publicamente, em mais de uma ocasião, que não iria adquirir a vacina por causa de sua origem chinesa”. A nota refere-se ao episódio em que Bolsonaro desautorizou Pazuello em outubro, quando o ministro havia assinado um protocolo de intenções com o Butantan para a compra de doses da Coronavac. O presidente ordenou que o acordo fosse suspenso.

A gestão Doria destacou ainda que, no período em que o presidente se negava a admitir a compra dos imunizantes, quatro lotes de vacinas e insumos foram recebidas pelo governo de SP “sem nenhuma participação do governo Bolsonaro”.

Na nota, o governo paulista confirmou que houve autorização do governo chinês para o envio dos insumos e esclareceu que eles estão nas instalações da Sinovac em Pequim.

Em sua página no Twitter, Doria afirmou ainda que os frequentes ataques de membros do governo federal à China dificultaram o processo. “Se não fosse o esforço de São Paulo e a excelente relação de respeito que mantemos com a China, o principal parceiro comercial do Brasil, não teríamos iniciado ainda a vacinação dos brasileiros”, declarou.

O governador subiu o tom e acusou a gestão Bolsonaro de oportunismo. “Sem parasitismo dos negacionistas e oportunistas. Até aqui só atrapalharam nosso trabalho em prol da ciência e da vida. São engenheiros de obra pronta. Vergonha!”.

Doria terá uma reunião virtual nesta terça-feira, 26, às 10h30, com o embaixador chinês, Yang Wanming, e prometeu apresentar à imprensa os detalhes logísticos do recebimento dos insumos após o encontro.

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