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Salário mínimo deveria ter sido R$ 5.289,53 em novembro, afirma Dieese

Pesquisa revelou que o preço da cesta básica aumentou em 16 das 17 capitais pesquisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), nesta segunda-feira (7/12), divulgou o valor que deveria ter sido o salário mínimo no mês de novembro: R$ 5.289,53.

Com base na cesta mais cara que, em novembro, foi a do Rio de Janeiro, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.289,53, o que corresponde a 5,06 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.045,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em novembro, foi de 114 horas e 38 minutos, maior do que em outubro, quando ficou em 108 horas e 2 minutos.

Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em novembro, na média, 56,33% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em outubro, o percentual foi de 53,09%

Salário mínimo nominal e necessário – Fonte: Dieese

Cesta Básica

Além disso, o órgão de estudo e pesquisa levantou no mês de novembro que o preço do conjunto de alimentos, que compõem a cesta básica, aumentou em 16 das 17 capitais pesquisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA).

Em São Paulo a cesta básica custa em média R$ 629,18. É a segunda capital com maiores preços no ranking de dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgada nesta segunda-feira (7/12).

De acordo com o relatório, a cesta sofreu variação mensal de 6,88%. Em relação ao ano passado, os alimentos aumentaram em média 24,15%.

“Recentemente a gente viu a cesta passar os R$ 500 pela primeira vez. Agora, a alta continua, e, além desse número ser significativo, é ainda maior quando se pega períodos maiores. Eu não me lembro de ver uma alta tão significativa desde o Plano Real. Há muitos anos que não observamos uma alta dessa magnitude”, comenta o economista e supervisor técnico do Dieese/MG, Fernando Duarte.

E quem passa no supermercado este mês, nota o aumento de produto por produto. A maior alta de preço médio em relação a outubro foi da batata (43,30%), seguido do tomate (34,46%), óleo de soja (11,69%), açúcar cristal (8,49%), arroz agulhinha (6,06%), carne bovina de primeira (3,80%), manteiga (3,02%), café em pó (1,46%) e banana (0,17%).

“Sempre que temos alta na cesta é devido aos produtos que têm dificuldade de estoque, como tomate e batata, por exemplo. Dessa vez, não houve só a disparada no preço desses produtos”, explica o economista. “Nessas crises, quando há desvalorização do real, tem o incentivo à exportação. Dessa vez quem está pagando o preço disso é a população”, acrescenta Duarte.

Os únicos produtos com redução de preço médio em relação a outubro foram: leite integral (-3,17%), farinha de trigo (-1,65%), feijão carioquinha (-1,46%) e pão de sal (-0,08%).

O levantamento mostra que o trabalhador precisa dedicar uma jornada de em média 116 horas e 17 minutos para conseguir comprar a cesta básica. O percentual do salário mínimo líquido gasto para compra dos produtos da cesta para uma pessoa adulta chega a 57,14%.

“O cenário, por se tratar de primeira necessidade, é muito ruim principalmente para o trabalhador que ganha salário mínimo. Esse trabalhador compromete mais de 50% do salário. É um cenário complicado principalmente para pessoas de menor poder aquisitivo”, comenta o economista Fernando Duarte.

O especialista acredita que ainda não é possível ter uma perspectiva de como será o início de 2021. “A gente não sabe como fazer previsão porque o preço está muito alto e não podemos afirmar que terá uma queda rapidamente. Difícil fazer uma previsão, principalmente uma previsão que aponta uma baixa. É torcer”, conclui.

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