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Política

Irritado com investigação contra Flávio, Bolsonaro volta a atacar a imprensa

Diante de PMs recém-formados, no Rio, presidente diz que o jornalismo profissional é "canalha" e "fábrica de fake news".

Irritado com uma nova investigação contra um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a imprensa, ontem, diante de 485 novos soldados da Polícia Militar do Rio dee Janeiro e seus parentes. Durante a solenidade de conclusão do curso de formação, ele afirmou que a “imprensa canalha” estará sempre contra eles e que a “maior fábrica de fake news está em grande parte da mídia brasileira”. Disse ainda que, muitas vezes, os PMs terão apenas Deus ao lado durante as operações e aconselhou que continuem se preparando.

“Não se esqueçam de uma coisa: por muitas vezes, vocês estarão a sós, terão apenas Deus ao seu lado e, assim sendo, se preparem cada vez mais. Simulem as operações que podem ocorrer pela frente porque, em uma fração de segundos, está em risco a sua vida, de um cidadão de bem ou de um canalha defendido pela imprensa brasileira. Não se esqueçam disso: essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pensem dessa forma para poderem agir”, disse, em tom inflamado.

“Não esperemos da imprensa a verdade. As mídias sociais, essas sim, trazem a verdade, e não a fábrica de fake news que é a imprensa brasileira”, acusou.

Indiretamente, Bolsonaro se referiu à reportagem da revista Época, que publicou que a defesa de Flávio afirma que o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, lhe fez recomendações visando auxiliar na anulação do inquérito no qual o senador é investigado por suposto esquema de rachadinha quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O presidente completou que, apesar de ser atacado pela mídia, é sempre bem recebido nos estados por onde passa.

“Nós sempre estaremos do lado da verdade, da lei e de homens de bem, e não de canalhas. Não esperamos, com palavras gentis ou com gestos de amizade, vencer o inimigo. Nós estamos vencendo, nós venceremos. O Brasil será uma grande nação, e, para isso, contamos com um povo maravilhoso ao nosso lado e a liberdade das mídias sociais. Essa, sim, traz a verdade para vocês”, apontou.

Crítica velada

Bolsonaro voltou a dizer que o poder do povo está acima dos poderes institucionais. “Eu e as Forças Armadas devemos lealdade absoluta ao povo brasileiro. Jamais a nossa democracia e a nossa liberdade serão ameaçadas por quem quer que seja. Entendam uma coisa: os Três Poderes são independentes e harmônicos, mas o maior poder é do povo brasileiro”, salientou.

A polícia do Rio matou 1.810 pessoas em 2019, segundo dados oficiais. Mas Bolsonaro foi apenas elogios a uma das corporações mais violentas do país. “Já tive grandes policiais ao meu lado, que já foram massacrados pela mídia, mas sempre estivemos do lado do bem. Por mais que queiram nos enxovalhar, não conseguem. Em qualquer lugar que estou do Brasil, lá o Capitão Bolsonaro é muito bem tratado junto à população. Assim é também o nosso PM quando está trabalhando nas ruas. Vocês são heróis de verdade. Estou na frente de uma das melhores polícias do Brasil.

Estiveram com Bolsonaro o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), e os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Braga Netto, de Casa Civil, além de Flávio Bolsonaro e deputados federais bolsonaristas. De surpresa, Castro convidou o senador, seu principal interlocutor no clã, para falar aos formandos. O parlamentar chamou o governador interino de “honrado que defende a tropa, se preocupa com o servidor público e está completamente concentrado em seu Estado”, em clara indireta ao afastado Wilson Witzel.

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