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Bolsonaro diz que máscara não protege contra Covid-19: “É ficção e faz mal”

Nova declaração vai na contramão do que dizem autoridades sanitárias do mundo, cujo trabalho se baseia em evidências científicas

foto: Sérgio Lima/AFP

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a dizer, nesta quinta-feira (31/12), que a máscara não protege contra a Covid-19. Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o chefe do Executivo nacional afirmou que o equipamento de proteção é uma “ficção” e “prejudica a saúde da pessoa”.

“A máscara não protege de nada. Isso é uma ficção. Quando é que nós vamos ter gente com coragem – porque eu não sou especialista no assunto, né? – para falar que a proteção da máscara é um percentual pequeno?”, opinou o presidente.

De acordo com a teoria de Bolsonaro, somente máscaras específicas, como as usadas por médicos em cirurgias, funcionam. “A nossa aqui, praticamente zero [proteção]. O que mais se vê por aí é o cara com a máscara toda sebenta, está até com o cheiro ruim. Isso prejudica – eu não sou médico –, mas prejudica a pessoa. Ela ela inspirando parte do CO2 que ela expirou. Prejudica a saúde da pessoa”, declarou o presidente.

A declaração de Bolsonaro vai na contramão do que dizem autoridades sanitárias de diversos países e das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), cujo trabalho se baseia em evidências científicas. A conclusão dessas autoridades é a de que o uso correto das máscaras reduz a quantidade de partículas virais expelidas e, portanto, ajuda a conter o avanço da pandemia.

Ainda durante a transmissão, o presidente da República ainda sugeriu que seja feita uma comparação durante um exame de oximetria – teste usado para medir o nível de oxigênio do sangue – com e sem máscara.

“Pega, faz um teste aí. Eu não sei se dá certo. Bota o dedo no oxímetro agora, numa boa, tranquilo. Bota lá e vê quanto tá: 98%, 99%, 100%. Depois fica cinco minutos com a máscara e bota o dedo de novo. Eu não sei se… Eu acho… eu acho que vai baixar. Eu acho. Não tenho certeza, né”, continuou.

A importância da máscara contra a Covid-19

Seja de tecido ou descartável, a máscara se tornou item essencial nos últimos meses como parte da proteção contra a infecção pelo novo coronavírus. Em nota publicada na revista científica The New England Journal of Medicin, em setembro, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugeriram que ela também contribui para a produção de anticorpos contra a Covid-19.

A justificativa é que a barreira criada pela máscara não garante a proteção total contra o vírus, mas reduz a exposição das pessoas a ele e, consequentemente, à carga viral, responsável pela gravidade da doença.

Com menos contato com o patógeno, aumentariam os casos de pessoas assintomáticas que não evoluiriam para um quadro grave e, mesmo assim, produziriam os anticorpos para a proteção contra o Sars-CoV-2, explicaram os especialistas.

“Se essa teoria for confirmada, o mascaramento de toda a população, seja com itens de tecido ou descartáveis, pode contribuir para aumentar a proporção de infecções por Sars-CoV-2 que são assintomáticas”, escreveram.

Método de imunização

Esse processo é conhecido como variolação, um método de imunização usado antes da introdução da vacina contra a varíola que acabou erradicando a doença. Nele, pessoas suscetíveis à condição eram inoculadas com material retirado de um paciente com o objetivo de provocar uma infecção leve e subsequente imunidade.

Os pesquisadores da universidade norte-americana ainda lembraram que os países onde a população adotou o uso da máscara se saíram melhor em termos de taxas de doenças graves relacionadas à Covid-19 e às mortes. Ou seja, em ambientes com testes limitados, pode haver uma mudança no padrão das infecções de sintomáticas para assintomáticas.

Como exemplo, os cientistas lembram do caso do cruzeiro argentino fechado após a identificação de pacientes com a Covid-19. Todos os presentes na embarcação receberam máscaras cirúrgicas do modelo N95.

Ao passar por testes, observou-se que a taxa de infecção assintomática ficou em 81%, valor muito maior do que os 20% observados em surtos anteriores nos quais muitos passageiros apresentaram sintomas.

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