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LEVANTAMENTO

Eleições indicam polarização menor e deixam DEM e PSol fortalecidos

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Os resultados do primeiro turno das eleições municipais revelam que o cenário político sofreu alterações profundas desde o pleito de 2018. O clima de radicalismo, que predominou há dois anos, deu espaço para partidos que transitam entre os extremos de esquerda e direita, que travaram uma quebra de braço pelos eleitores.

Se candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro patinaram nos votos e tiveram desempenho fraco nas urnas, postulantes do PT também registraram derrocada nas capitais. Por ironia, as legendas do Centrão, grupo mais fisiológico da política, ganharam a maioria das prefeituras, com destaque para PSD, PP e PL.

Em São Paulo, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), e o candidato do PSol, Guilherme Boulos, enfrentam-se no segundo turno, marcado para o dia 29. Celso Russomanno (Republicanos), que recebeu apoio do chefe do Executivo, e o petista Jilmar Tatto tiveram baixo desempenho.

Apesar de representarem a visão de cidadãos em colégios eleitorais dissociados e regionais, as eleições deste ano têm em comum a ascensão dos partidos que, tradicionalmente, ocuparam pouco espaço na política. O PSol e o DEM são os grandes ascendentes na votação, seja porque levaram candidatos para o segundo turno, seja porque conseguiram emplacar prefeitos em cidades importantes logo na primeira fase da disputa.

Em Salvador, o candidato do Democratas, Bruno Reis, foi eleito em primeiro turno. Em Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PSD, saiu vitorioso. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) garantiram-se no segundo turno.

O DEM também conquistou as prefeituras de Curitiba, com Rafael Garcia, e Florianópolis, com Gean Loureiro. A esquerda ganhou espaço em Porto Alegre, onde Manuela D’Ávila (PCdoB) vai para o segundo turno com Sebastião Mello (MDB). Em Belém, Edmilson Rodrigues (PSol) vai disputar o executivo local com o Delegado Federal Eguchi (Patriota).

O PSL, sigla que obteve a segunda maior fatia do fundo eleitoral — dinheiro público usado para financiar campanhas —, perdeu a força que teve em 2018, quando chegou a eleger o presidente, três governadores, quatro senadores, 52 deputados federais e 76 estaduais. Com orçamento de R$ 199,4 milhões, o partido não conseguiu levar seus candidatos para o segundo turno em nenhuma das 14 capitais que disputou.

Dos mais de cinco mil municípios do país, a legenda conquistou 24 prefeituras, número bem abaixo do de siglas como, PSD (449), MDB (448), Progressistas (415), PSDB (348), DEM (310), PL (210) e PDT (201).

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