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Covid tira de cena um dos mais antigos palhaços do Brasil, Chumbrega, natural de Birigui

Após perder pai para Covid, em Jundiaí, filho do palhaço Chumbrega relembra parceria no picadeiro: 'Inspiração'

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

“O palhaço pode quase tudo, só não pode deixar a plateia triste”. A frase, dita uma vez pelo artista circense Athos Silva Miranda, o palhaço Chumbrega, foi relembrada pelo filho, Marlon Antonio Pires Miranda, após a morte do pai, em Jundiaí (SP), essa semana, por complicações da Covid-19.

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Nascido em Birigui (SP) e considerado um dos mais antigos no ramo circense, Athos morreu na segunda-feira (3), aos 77 anos. Atualmente, ele o filho faziam apresentações pelo Circo Di Napoli, que está em Campo Limpo Paulista (SP).

Ao G1, Marlon, também conhecido como palhaço Pankeka, conta que trabalhou ao lado do pai no circo durante mais de 30 anos. Por isso, o via como uma inspiração.

“Desde o começo da minha vida, nunca saí do lado dele. Meu pai ficou muito marcado. Ele cativou muitas pessoas, que gostavam dele por ser uma pessoa honesta e justa. Ele era muito bom. Meu pai era uma inspiração para mim”, comenta o filho, que é de Bauru (SP).

Contando com Marlon, Athos teve seis filhos – destes, cinco seguiram a carreira do pai, mas em circos diferentes. Um dos netos, o palhaço Chumbreguinha, também se apresentava com o pai, Marlon, e o avô.

“Na apresentação, ele tentava tocar um violino e eu, junto com o meu filho, entrava para atrapalhar com outros instrumentos. Eram três gerações no mesmo picadeiro”, explica o palhaço Pankeka.

Chumbrega trabalhou em alguns dos maiores circos do Brasil, como Di Roma, Spacial, Charles Barry, Beto Carrero, Marcos Frota e Stankowich, que é considerado o mais antigo do país.

“As lembranças boas vêm, porque ele não tinha só seis filhos, tinha uns cinco mil. É tanta gente dizendo que ele foi um pai…o eterno Chumbrega: ele vai ser lembrado assim.”

‘Chegou o momento’

Athos foi internado no dia 17 de julho, no Hospital das Clínicas de Campo Limpo Paulista, onde o circo está estacionado. Em seguida, foi transferido para o Hospital São Vicente, em Jundiaí.

“Nesses dias que ele ficou internado, tivemos muita esperança. Ele era muito forte, por isso ninguém acredita. Não tem velório, não tem enterro, não tem nada. É tudo muito triste. Além da morte, tudo é muito doloroso”, relata o filho.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), o Circo Di Napoli, colegas de trabalho e amigos lamentaram a perda nas redes sociais. Chumbrega foi enterrado no Cemitério Bosque da Saudade, em Campo Limpo Paulista.

“Cada um tem uma crença, uma religião e eu acredito muito que, pela vontade que ele tinha de viver, de ficar com a família, creio que chegou o momento. Não tem conforto nessa hora. Ele não era só meu pai, era meu eterno companheiro. Foram 33 anos e para mim dói muito, mas tenho que aprender a conviver com as lembranças”, conclui Marlon.

Foto: Marlon Antonio Pires Miranda/Arquivo pessoal

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