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EUA em campanha

Biden e Kamala formam chapa mais crítica a governo brasileiro na história

Candidatos democratas à presidência e a vice fazem críticas abertas e nominais a Bolsonaro.

Foto: AP Photo/Carolyn Kaster

Ao formar a cabeça de chapa presidencial democrata com a senadora Kamala Harris, o democrata Joe Biden parece liderar a coalizão política mais frontalmente contrária a um presidente brasileiro na história das eleições dos Estados Unidos.

Isso porque tanto Biden quanto Kamala fizeram críticas abertas, repetidas e nominais a Jair Bolsonaro nos últimos meses, em um movimento considerado pelos especialistas como sem precedentes nas relações entre os dois países.

“É a primeira vez na história das eleições americanas que vemos uma chapa presidencial, tanto com candidato à presidente quanto com o nomeado a vice, se colocar tão claramente contra um governo brasileiro. O fato de Biden e Kamala estarem confortáveis de apontar o dedo para Bolsonaro em suas críticas mostra que desejam dar a ele um caráter de caudilho latino americano, colocá-lo na posição de pária internacional”, afirma o professor de relações internacionais da FAAP Carlos Gustavo Poggio, especialista em Estados Unidos.
De acordo com Poggio, embora durante a gestão do presidente democrata Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, Brasil e Estados Unidos tenham cortado relações militares na esteira da repreensão do governo americano a abusos cometidos pelo regime militar brasileiro, não há registros de que ainda durante a campanha, em 1976, o então candidato democrata Carter tenha investido contra o General Ernesto Geisel, o mandatário do Brasil à época.

Críticas em série
Agora, no entanto, tanto Biden quanto Kamala, que também foi pré-candidata presidencial pelos democratas até dezembro do ano passado, já expressaram seu descontentamento em relação ao brasileiro.

“O presidente Bolsonaro precisa saber que se o Brasil falhar na sua tarefa de guardião da floresta Amazônica, o meu governo irá congregar o mundo para garantir que o meio ambiente esteja protegido”, afirmou Joe Biden em uma em entrevista à revista americana Americas Quartely em março de 2020.
Ainda naquele mesmo mês, em um debate de pré-candidatos democratas, ele reafirmou sua intenção de liderar uma resposta global contra a devastação da floresta brasileira.

“Eu estaria agora organizando o hemisfério (ocidental) e o mundo para fornecer US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia, para que pudessem manter as florestas”, afirmou o democrata. O dinheiro seria parte de um pacote de quase US$ 2 trilhões que Biden estuda criar para combater o aquecimento global, uma de suas prioridades de gestão.

Eleita para o Senado pela Califórnia, Kamala foi ainda mais explícita e direta em suas críticas a Jair Bolsonaro. Em agosto do ano passado, diante das informações a respeito do aumento das queimadas na Amazônia, as imagens da destruição na floresta tropical estamparam capas de publicações internacionais e geraram uma onda de críticas de líderes internacionais ao país.

Na ocasião, Kamala se posicionou via Twitter: “O presidente Bolsonaro precisa responder por essa devastação”, disse, em comentário sobre imagens de uma área de mata em chamas. Kamala afirmou que 20% do oxigênio do mundo viria da Amazônia e que a floresta é o lar de um milhão de indígenas. “Qualquer destruição afeta a nós todos”.

Kamala voltou à carga no dia seguinte, 24 de agosto: “Enquanto a Amazônia queima, o presidente tipo Trump do Brasil, que deixa madeireiros e mineradores destruírem a área, não está agindo. Trump não deve fechar acordo comercial com o Brasil até que Bolsonaro reverta sua políticas catastróficas e combata as queimadas. Precisamos da liderança americana para salvar o planeta”.

Quatro dias mais tarde, fustigou também a proximidade entre o mandatário brasileiro e o presidente americano Donald Trump, a quem ela enfrentará nas urnas, ao lado de Biden, no próximo dia 3 de novembro.

Isso porque além de expressar apoio público ao brasileiro, Trump também atuou junto à cúpula do G-7, que se reunia naqueles mesmos dias, para impedir que recomendações ou críticas ao Brasil fossem incluídas na declaração final dos países mais poderosos do mundo, como queria o mais vocal dos críticos do governo brasileiro, o presidente francês Emmanuel Macron.

“O presidente Bolsonaro tem ativamente encorajado incêndios na Amazônia e rejeitado auxílio do G7 para combatê-los. Trump garantiu seu apoio total a Bolsonaro. Em um momento em que o planeta depende da liderança americana, Trump tem falhado”, disse Kamala.

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