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POLÍTICA

Ofensiva de Aras contra a Lava Jato une lulistas e bolsonaristas

Procurador-geral acusa forças-tarefas de manter "caixa de segredos" e une esquerda e bolsonarismo anti-Moro. Presidente do STF paralisa investigações contra tucano

Representante do Ministério Público, Augusto Aras durante sessão plenária do TSE. Brasília-DF, 02/04/2019 Foto: Roberto Jayme/ Ascom /TSE

Primeiro, o revés veio do procurador-geral da República, Augusto Aras. Na noite de terça-feira, ele fez seu ataque mais duro à Lava Jato desde que tomou posse no cargo, em outubro de 2019.

Durante uma transmissão ao vivo realizada com advogados do grupo Prerrogativas, do qual fazem parte juristas e defensores críticos à operação e que representam políticos e empresários alvos da força-tarefa, ele insinuou que os procuradores de Curitiba, liderados por Deltan Dallagnol, possuem uma “caixa de segredos” com dados de mais de 38.000 pessoas.

“Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos”, afirmou. A investida de Aras contra a Lava Jato traz uma novidade no cenário político: coloca parte do bolsonarismo que já estava ressentida com a saída de Sergio Moro do Governo e as acusações feitas por ele ao presidente ao lado de partidos de oposição que sempre criticaram os excessos da operação —principalmente os cometidos contra o ex-presidente Lula e outros petistas.

Para completar a má semana da Lava Jato, nesta quarta-feira veio à tona a notícia de que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, decidiu paralisar parte do braço mais ativo atualmente da operação, o de São Paulo. Toffoli suspendeu duas investigações em curso contra o senador tucano José Serra.

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Na terça, tudo no movimento do procurador-geral foi simbólico. Durante pouco mais de duas horas, Aras participou de um debate com alguns dos maiores críticos da Lava Jato, algo sem precedentes desde o início da operação.

Alguns dos organizadores da live, por exemplo, irão lançar em agosto um livro com críticas à atuação de Moro à frente da Lava Jato. Intitulado O Livro das Suspeições: o que fazer quando sabemos que Moro era parcial e suspeito?, a compilação contará com textos de juristas e advogados críticos ao ex-juiz.

Todo o tema é um nó para Bolsonaro, porque, apesar de rompido com Moro, ele foi eleito com discurso de defesa da operação e contra a “velha política”. Aras e o presidente, por sua vez, tem outros interesses cruzados. O procurador-geral é cotado para uma vaga no Supremo, segundo o próprio Bolsonaro.

É também responsável por processos sensíveis para o mandatário, como o inquérito que investiga fake news contra ministros da Corte e que já afeta bolsonaristas e pode esbarrar nos filhos do presidente. É ele também que conduz uma investigação contra Bolsonaro, acusado por Moro de interferir na Polícia Federal.

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Durante o debate, Aras afirmou que “todo o MPF, em seu Sistema Único, tem 40 terabytes [medida de armazenamento de dados]. A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba tem 350 terabytes e 38.000 pessoas com dados depositados [no banco]. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais foram os critérios”, disse, referindo-se também ao que chamou de “MPF [lado] B”.

Ele cobrou transparência, e questionou: “Quem controla o controlador? Quem fiscaliza o fiscal?”. “Agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure. Mas a correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção”, afirmou. Segundo Aras, sua atuação à frente do MP tem como objetivo mudar a imagem do “MP punitivista”. “Mudamos o perfil punitivista para modernizar o MP, para que ele aja preventivamente”, disse.

Em nota de repúdio divulgada nesta quarta-feira, os procuradores da Lava Jato reagiram e chamaram os ataques de Aras de “genéricos e infundados”. “A ilação de que há ‘caixas de segredos’ no trabalho dos procuradores da República é falsa, assim como a alegação de que haveria milhares de documentos ocultos (…) É falsa a suposição de que 38.000 pessoas foram escolhidas pela força-tarefa para serem investigadas”, informaram no texto.

O ex-juiz da operação em Curitiba e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, seguiu a mesma linha e rebateu no Twitter as acusações do procurador-geral. “Desconheço segredos ilícitos no âmbito da Lava Jato.

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Ao contrário, a operação sempre foi transparente e teve suas decisões confirmadas pelos tribunais de segunda instância e também pelas cortes superiores, como STJ e STF”, escreveu. Um processo que pede a suspeição de Moro no julgamento do ex-presidente Lula será julgado no Supremo após o término da pandemia.

Por fim, a Associação Nacional dos Procuradores da República também saiu em defesa da Lava Jato. “As forças-tarefas se constituem em modelo internacional de sucesso nas grandes e complexas investigações realizadas e, por isso, vêm sendo utilizadas com bastante êxito no MPF nas últimas décadas”, diz a nota. Mais à frente o texto diz que “no que concerne especificamente à Operação Lava-Jato (…) apesar dos trabalhos correcionais [de fiscalização] efetivados, nenhuma irregularidade restou identificada”.

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