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O policial, a angústia, o estresse e o suicídio

Triste! Acho que já comentei no grupo que a profissão de policial está entre as mais estressantes do mundo. Um estudo realizado comparou o estresse de várias profissões, nível medido entre 0 a 100, entrou na lista as profissões com estresse acima de 93; quem ficou em primeiro lugar? Com 98,5 o Atendente Policial.

No meu ver o Escrivão é um atendente policial, o primeiro contato da vítima geralmente na Unidade ou no Plantão é com o Escrivão, depois no interior de uma sala; a pressão e cobrança é enorme de todos “os lados”, o estresse é elevadíssimo, falo por experiência própria, mais de 30 anos na profissão.

Numa ocasião em uma semana fazia três plantões, não conseguia dormir mais de tanto estresse. Em dado momento nosso cérebro entra numa confusão muito grande, mais de 131 artigos, estudando diversos profissionais chegaram à conclusão de que as evidências de alterações estruturais, funcionais e moleculares no cérebro é muito grande e leva a pessoa a pensar em suicídio.

No caso de Escrivão já notaram que o índice de suicídio é muito alto, um estudo concluiu que entre policiais que se suicidam e os que morreram em confronto, a taxa de suicídio é 20% superior.

Sabemos que o Estado não nos ampara nas angústias ou no estresse. Há momento em que nosso cérebro confunde a desgraça vivida dia a dia e nossa vida real (principalmente para quem passa a maior parte de sua vida trancado numa sala ouvindo desgraças da vida do outro).

É importante gostar, ao menos um pouco de sua profissão, isso já vai ajudar bastante, é importante uma harmonia com os colegas de trabalho, é importante o lado social, o amor a família, (embora somos policiais 24 horas por dia), mas não precisa levar ao pé da letra, tem que viver em outros grupos, ter outras experiências, estudar, ler, exercitar, claro alimentar-se de maneira saudável, dedicar-se a outros temas, de alguma forma encontrar uma válvula de escape para não deixar-se entrar no submundo que vivemos diariamente, pois se isso acontece a tendência e irmos juntos para esse submundo.

É necessário sabermos que somos humanos, somos diferenciados por ser policiais? Acham que sim e, muitas vezes conseguem colocar isso em nossas mentes e faz com que nós nos cobramos mais e mais. Isso ouvi desde a época da academia em 1989, que a polícia me mudaria, me transformaria, mas nunca segui essa psicologia, nunca deixei de ser eu mesmo, viver e fazer o que gosto, amar a vida, seguir com o que tenho vontade de fazer e procuro ser o mais feliz possível e sou.

Quando notei que a polícia poderia me transformar no que eu não desejava ser pedi socorro, fui para uma Terapeuta (esposa do nosso amigo Nelson Custódio), é fantástica, ajudou demais a transformar muito minha vida (não é propaganda mas o reconhecimento de uma profissional maravilhosa).

Não tenha medo e nem vergonha de procurar ajuda, seja de amigos, familiares ou profissionais, afinal, como disse, somos humanos como qualquer outro, não somos uma máquina como o Estado deseja (embora acredite que isso esteja mudando, muito pouco ainda). Ficou longo, mas essa semana é a segunda matéria que vejo de um colega Escrivão que tira sua vida e, tinha que escrever o que penso. Um ótimo descanso a todos.

Por: Claudemir Teixeira Melo, Escrivão de Polícia em Birigui (SP)

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