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COVID-19

OMS nega que tenha recomendado reabertura mais rápida das economias

A OMS citou um estudo de pequeno porte feito pela China, mas são necessárias mais pesquisas. Bolsonaro usou a situação como argumento para defender a reabertura da economia.

foto: Sérgio Lima/AFP

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que espera uma “reabertura mais rápida” das atividades econômicas e que o “pânico pregado por parte da grande mídia” vai acabar depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde) ter divulgado ontem que a disseminação do coronavírus por pessoas assintomáticas é “muito rara”.

A OMS, no entanto, alertou que há perigo de pessoas pré-sintomáticas transmitirem o vírus e avisou que os
estudos sobre assintomáticos ainda não são muito abrangentes, informações omitidas pelo presidente.

As declarações do mandatário ocorreram na abertura da reunião periódica do chamado conselho de governo, que reúne os principais ministros e chefes de autarquias, bancos e outros órgãos importantes. “Ontem a OMS também disse que a transmissão de pessoas assintomáticas é praticamente zero. Muitas lições serão tomadas.

Isso pode sinalizar a uma abertura mais rápida e do comércio e a extinção de medidas mais rígidas autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e por prefeitos e governos estaduais. O governo federal não participou disso. Vai ter muita discussão”, disse Bolsonaro.

“Esse pânico que foi pregado lá atrás por parte da grande mídia começa talvez a se dissipar levando em
conta o que a OMS falou por parte do contágio dos assintomáticos”, completou.

A OMS, na verdade, informou que “parece haver” baixa transmissibilidade de assintomáticos e citou por
enquanto apenas um estudo de pequeno porte feito pela China. A chefe do programa de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, ressaltou depois, em sua conta no Twitter, que há diferenças entre assintomáticos e pré-sintomáticos —pessoas que ainda não têm sintomas, mas vão desenvolvê-los. Essas pessoas transmitem mais intensamente no início da contaminação.

Bolsonaro passou a defender novamente o fim do isolamento social com mais vigor depois dessas informações. “Quem sabe poderemos voltar à normalidade que tínhamos no começo deste ano”, disse Bolsonaro ao abrir a reunião.

Apesar do estudo citado, a OMS não reviu a necessidade de isolamento social para frear a disseminação do
vírus. De acordo com Van Kerkhove, as ações dos governos devem se concentrar na detecção e isolamento de pessoas infectadas com sintomas e no rastreamento de qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com elas.

Porém, ela declarou que são necessárias mais pesquisas e dados para “responder verdadeiramente” à questão se o coronavírus pode se espalhar amplamente por pessoas assintomáticas.


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