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Saúde

Junho Violeta serve de alerta para doença que prejudica a visão

Ceratocone afeta uma a cada 2 mil pessoas no Brasil; causa pode ser genética; principal forma de prevenção é evitar coçar os olhos

O ato de coçar ou esfregar os olhos é extremamente comum, e quase que automático para a maioria das pessoas. Entretanto, essa ação pode ocasionar o ceratocone, uma doença degenerativa da córnea, que, segundo estimativas, afeta uma a cada 2 mil pessoas no Brasil.

Devido à grande incidência, neste mês ocorre a campanha Junho Violeta, que tem o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O ceratocone é um distúrbio ocular progressivo que costuma aparecer na adolescência, entre os 13 e os 18 anos, e progride por aproximadamente sete anos. Após esse período, a tendência é de estabilização. É considerada bilateral, ou seja, na maioria dos casos atinge ambos os olhos.

“Ela (a doença) pode estar ligada a fatores genéticos, mas esse hábito de coçar os olhos diversas vezes desencadeia o ceratocone, pois provoca uma alteração na córnea, afetando a sua espessura e o seu formato”, explica o oftalmologista Ricardo Radi, do Hospital do Olho de Araçatuba (SP).

Segundo Radi, essa irregularidade da córnea também pode levar à miopia e ao astigmatismo. “O diagnóstico é feito por meio de uma série de exames muito específicos. O fato é que se torna importante detectar o ceratocone ainda em seu estágio inicial, o que remete à importância de exames preventivos. Por ser progressiva, enquanto não tratada, a doença continua a alterar o formato da córnea, principalmente em jovens”, diz o especialista.

Ainda, de acordo com o oftalmologista, não esfregar os olhos de maneira contínua é sem dúvida a grande dica para não prejudicar a saúde de seus olhos e prevenir o aparecimento do ceratocone.

“Por ser uma doença bastante associada à infância e juventude, é imprescindível que pais ou responsáveis estejam atentos e, em caso de surgimento de qualquer alteração na visão dos pequenos, procurem um oftalmologista, pois é ele quem realizará os exames necessários para identificar qual o problema ocular e fornecer o tratamento adequado”.

Sobre o tratamento, Radi informa que ele pode variar conforme o estágio da doença. “Na primeira fase, a visão pode ser corrigida apenas com o uso de óculos. Já num segundo estágio, com o uso de lentes de contato específicas para ceratocone ou com o implante de anel intracorneano, no caso de intolerância às lentes. Outra opção de tratamento é o procedimento conhecido como crosslinking. No processo, o uso de colírio de vitamina B2, associado à luz UVA emitida por uma fonte aumenta a ligação das fibras de colágeno da córnea, o que a enrijece, evitando a progressão da doença. “Nas etapas mais avançadas, o tratamento baseia-se no transplante de córnea “, enumera.

Manter uma rotina de consultas ao oftalmologista é importante na prevenção dessa e de outras doenças que afetam a visão. “O correto é marcar uma consulta pelo menos uma vez por ano. Pacientes que coçam os olhos de forma crônica, ou por alergia ocular recorrente, ou por histórico familiar de ceratocone, embaçamento visual que não melhora com óculos e que sofra um aumento progressivo do grau, principalmente do astigmatismo, devem procurar seu oftalmologista para fazer um exame completo”, finaliza Radi.

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