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COMBATE AO CORONAVÍRUS

70% das mortes por síndrome respiratória em MG têm causa indeterminada

Estado tem a 9ª menor taxa de mortalidade pelo coronavírus do país, com 2,4%.

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Apesar de a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) determinar a realização de testes de Covid-19 em todas as mortes classificadas como casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 70% dos óbitos registrados até 13 de junho não tiveram causa definida, seja por falta de realização de exames ou pela execução inadequada do diagnóstico. Paralelamente, o estado tem uma das taxas de letalidade de Covid-19 mais baixas do país, de 2,4%, enquanto o Brasil é de 4,63%.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reconhece o problema e afirma que o baixo índice de óbitos de SRAG que são diagnosticados se deve à dificuldade para realizar a coleta de material para testes de forma adequada ou em tempo hábil. O G1 mostrou nesta terça-feira (23), o estado é o que menos testa no Brasil, com 155 exames feitos a cada 100 mil habitantes.

De acordo com a SES-MG, todo caso em que há dificuldade respiratória, além de outros sintomas como febre, coriza e tosse, é classificado como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Ainda de acordo com a secretaria, todos os pacientes hospitalizados com esta condição ou que morrem têm que passar por testes para detectar Covid-19.

Entretanto, quando se analisa os dados de Síndrome Respiratória em Minas Gerais, até o dia 13 de junho, foram contabilizadas 2.220 mortes. Destas, 15 foram por influenza, 1 por outros vírus, 486 por Covid-19 e 148 permaneciam em investigação. O restante, 1.570, ficou sem diagnóstico. A informação está no último Boletim da Gripe divulgado na semana passada pela Secretaria.

O número de mortes por SRAG sem causa definida vem aumentando, de acordo com dados da própria SES-MG. Pelo Boletim da Gripe do dia 26 de maio, até o dia 16 daquele mês, dos 1.259 óbitos registrados, 173 eram por Covid-19 e 997 não tiveram diagnóstico definido.

O epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Stefan Vilges, defende que o volume muito grande de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) sem causa definida pode ser, em sua maioria, casos de Covid – 19 que não foram devidamente diagnosticados.

“Ou não estão sendo feitas coletas de forma adequada ou nem estão fazendo a coleta mesmo. Muitas vezes, o médico não tem recursos e, por falta de um diagnóstico mais específico, acaba fazendo um mais ampliado, fechando como uma das causas clínicas, que é a Síndrome Respiratória Aguda Grave, e, não, como Covid”, explicou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou que “o percentual de casos que não teve amostragem processada se refere a situações em que os municípios não conseguiram realizar coleta de forma adequada ou em tempo hábil.”

Ainda segundo a pasta, além da coleta inadequada, armazenamento e transporte das amostras também podem influenciar na falta de diagnóstico para as mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave. Outros fatores também estariam associados, como tempo entre coleta e início de sintomas, tipo de material coletado e a possibilidade de o paciente estar com pouca carga viral.

A Secretaria informou que estruturou uma rede de laboratórios parceiros à Fundação Ezequiel Dias para que as amostras sejam analisadas próximo aos locais onde foram feitas as coletas. E que tem capacitado profissionais e prestadores de serviços de saúde sobre os procedimentos de coleta.

Para Stefan Vilges, subnotificar o número de mortes é grave. “Entre as principais consequências de subnotificação de mortes, está em subestimar o problema que a gente está vivenciando. Os gestores estão utilizando destes números para adotar as medidas de flexibilização. Se para os óbitos, que deveriam ser mais identificados, existe subestimativa, nós estamos trabalhando com risco muito grande, de estarmos criando sensação de segurança que a gente não tem”, concluiu o epidemiologista.

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