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BELÉM

PM é investigado por atirar contra crianças na rua durante bloqueio total

Sargento, que estava de folga, foi afastado do trabalho e teve a arma apreendida no mesmo dia

Muzzle and front sight of a 9mm pistol

Um sargento da Polícia Militar (PM) do Pará é investigado pelo crime de ameaça ao mirar e atirar contra crianças e adolescentes que desrespeitavam o lockdown, em Belém, medida vigente até hoje para combater o avanço da covid-19, doença causada pelo coronavírus. O caso ocorreu na sexta-feira (22) no bairro Pedreiras. O sargento – que estava de folga – foi afastado do trabalho e teve a arma apreendida no mesmo dia.

As medidas contra o sargento foram cumpridas após pedido do Ministério Público (MP) à Justiça Militar. Um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado no dia do crime apura a conduta. A Corregedoria da PM do Pará também abriu procedimento administrativo. O suspeito não teve a identidade revelada pelos órgãos que investigam o caso.

“O pedido de busca e apreensão da arma foi para preservar a vida das pessoas, pois não sabemos da conduta desse militar. Além disso, foi afastado do serviço. Ainda vamos ouvi-lo e encaminhar os autos à Justiça Militar. Em tese, estamos apurando os crimes de ameaças e disparo em via pública, pois pelas imagens, ele atira contra as crianças que empinavam pipa em um período de lockdown [que termina hoje] que está decretado em Belém”, comentou o titular da Promotoria Militar do MP do Pará, Armando Brasil.

O momento exato do disparo foi registrado por uma vizinha do militar. Ela filma o policial que está na janela de casa observando a rua com a pistola na mão. Segundo a mulher, ele estaria pedindo para as crianças retornarem para casa. O disparo não atingiu nenhuma vítima ameaçada.

Belém está até hoje sob medidas rígidas de isolamento. A capital paraense contabiliza 9.290 casos confirmados e 1.114 mortes. O estado soma 26.077 e 2.375 óbitos.

“Olha aí, o policial armado no outro lado [da via pública], com crianças na rua e ele apontando uma arma mandando as crianças saírem”, disse a mulher que grava o vídeo antes de o tiro ser efetuado.

De acordo com o promotor de Justiça, o militar ateria assumido o risco ao mirar nas crianças que estavam na rua. A investigação apurou preliminarmente que a pistola usada no crime é da Polícia Militar. No Pará, cada membro da corporação recebe um kit com um colete à prova de balas e uma arma calibre .40 como medida de prevenção à segurança individual.

“Pelo o que tudo indica, as crianças estavam perturbando, fazendo barulho, mas ele não poderia fazer isso. O policial atirou mirando, não foi para cima. Poderia ter alvejado alguém”, confirmou Armando Brasil.

Em nota ao UOL, a Polícia Militar informou “que vai apurar administrativamente o caso e tomar as devidas providências”. “A PM ressalta que já identificou o militar do vídeo e que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte dos seus agentes. A Corporação destaca ainda que todas as denúncias que atentem contra o Código de Ética e Disciplina da PM são e serão apuradas com o devido rigor”, concluiu.

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