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Solidariedade

Alunos doam dinheiro da formatura pra salvar filho de professora e têm surpresa

Veja como solidariedade gera solidariedade. Alunos de uma escola pública doaram o dinheiro que arrecadaram para a festa de formatura pra pagar o tratamento médico do filho da professora, diagnosticado com uma doença autoimune que causa dores e feridas.

A boa ação dos estudantes logo se espalhou pela cidade, comoveu a população e empresários da região decidiram fazer uma surpresa: Eles pagaram a festa de formatura da turma. O caso aconteceu na cidade de Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, no Mato Grosso.

Como

Para pagar a festa de formatura, os alunos venderam rifas e fizeram economias. “Não pensamos tanto pelo lado de não ter uma comemoração da nossa sala. Pensamos mais em ajudar a professora que estava precisando. Foi uma coisa simples. Lançamos no grupo e todo mundo concordou”, contou o estudante Athur Felipe Sales Cayres, de 17 anos, ao G1. Eles não quiseram divulgar o valor arrecadado.

Emoção

A professora Lucilene Ezequiel ficou surpresa com atitude dos alunos. “Quando eles começaram a falar não tive reação, só chorei, pois foi uma mistura de dó, porque sei que para eles [a formatura] é importante e alegria, pois de alguma forma fiz diferença para eles. Temos visto tantas coisas tristes, desrespeito ao professor, que nos sentimos desmotivado, mas o que esses alunos fizeram foi tão bonito que esquecemos dessas coisas”, ressaltou.

Lucilene dá aulas há 8 anos. Ela trabalha em duas escolas e tenta dar o melhor de si para passar o conhecimento aos alunos.

Os estudantes disseram que a ação foi uma forma de recompensar tudo o que Lucilene fez para eles durante o ano letivo. “Ela sempre foi muito dócil, carinhosa, sempre foi uma ótima professora para nós… sempre nos tratou muito bem. Isso também é para mudar a visão da sociedade sobre a escola pública”, pontuou o aluno Fillipe Lima Scarparo, de 17 anos.

O filho da professora

Enzo Gomes, filho de Lucilene, tem 7 anos. Assim que foi diagnosticado, ele começou o tratamento em Cuiabá, mas logo depois a família precisou levá-lo para um especialista em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

A professora contou que no início do tratamento Enzo chorava e gritava todos os dias na hora de tomar banho. “Antes quando eu ia tomar banho doía muito as pernas, os pés. Agora a dor é mais nas pernas mesmo”, contou Enzo.

O problema aumentou quando a família soube quanto custaria o tratamento. “Comecei a entrar em desespero. Aí a médica disse que ele precisava de uma vacina. A vacina custa R$ 8,4 mil e agora eu não tenho dinheiro para comprar. Fui na Defensoria Pública e o promotor mandou uma carta ao estado para fornecer o medicamento e eles liberaram”, explicou.

Lucilene disse que os gastos ainda são muito altos. Além dos medicamentos caros e vacina, é preciso fazer muitos exames, que ela tem custeado com doações.

Gratidão

A ação dos alunos mudou a vida de Enzo e da mãe também. “A atitude deles faz a gente entender que o mundo ainda vale a pena, que ainda há esperança e que no meio de tanta maldade ainda há pessoas boas, que têm um bom coração”, disse a professora. A doença do garoto não tem cura, mas está controlada.

“Estou muito feliz pelo que eles fizeram, deram todo o dinheiro para mim, para eu poder melhorar. Fico muito agradecido por todos terem me ajudado nesses momentos difíceis. Eu sei que agora minha vida vai ser muito feliz por causa deles”, agradeceu.

Professora na sala – Foto: Lorena Segala/TVCA

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