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Chile decreta estado de emergência após protestos violentos

Aumento nas passagens provocou série de protestos na capital do país; pelo menos 133 pessoas já foram presas

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Foto: Reuters/Ramon Monroy


O presidente do Chile, Sebastián Piñera (foto em destaque), decretou neste sábado (19/10/2019) estado de emergência em Santiago após protestos violentos contra o aumento da tarifa do metrô tomarem a cidade nos últimos dias. Em pronunciamento à imprensa, Piñera condenou os “ataques e atentados” do que ele classificou como “delinquentes” ao anunciar a medida. O estado de emergência vale também para a província de Chacabuco e para as cidades e regiões metropolitanas de Puente Alto e San Bernardo.

Ao menos 16 ônibus foram incendiados e 10 estações de metrô ficaram completamente destruídas, além de 180 detidos e 57 policiais feridos.

“O objetivo desse estado de emergência é muito simples, mas muito profundo: assegurar a ordem pública, assegurar a tranquilidade dos habitantes de Santiago, proteger os bens, tanto públicos quanto privados, e, sobretudo, garantir os direitos de todos os nossos compatriotas, que se viram seriamente violados pela ação de verdadeiros deliquentes, que não respeitam a nada e a ninguém. Que estão dispostos a destruir uma instituição tão útil e necessária quanto o metrô, e, acima de tudo, não respeitam os direitos e nem a liberdade de seus compatriotas”, disse o presidente chileno.

Enquanto durar o estado de emergência, o responsável pela segurança das áreas sob o decreto será o chefe da Defesa Nacional. No mesmo pronunciamento que anunciou o decreto, Piñera nomeou para o cargo o general de divisão Javier Iturriaga Del Campo. O militar é comandante de Educação e Doutrina no alto comando do Exército chileno.

Em seu primeiro pronunciamento à imprensa, Campo descartou a adoção de medidas mais severas como o toque de recolher ou a limitação ao direito de reunião — medidas permitidas quando decretado o estado de emergência —, pelo menos inicialmente. Porém, afirmou que as forças armadas vão para as ruas para restabelecer a ordem pública nas zonas onde o conflito é mais intenso.

“As forças policiais seguem exercendo patrulhamentos e garantindo o controle dos serviços de transporte público e demais setores que foram afetados. As forçam armadas vão patrulhar a cidade nos setores onde o conflito é mais intenso”, disse o general em uma conversa com a imprensa.

A constituição chilena prevê a possibilidade de se instaurar estado de emergência em casos de “grave alteração da ordem pública ou de grave dano para a segurança nacional”, nas zonas afetadas por essas circunstâncias. O decreto tem duração de 15 dias, podendo ser prorrogado por igual período pelo presidente. Para prorrogações sucessivas, no entanto, o presidente precisa de autorização do congresso nacional.

Protestos

A capital do Chile foi sacudida nessa sexta-feira (18/10/2019) por violentos protestos contra o aumento das tarifas do metrô, que incluíram ataques a várias estações do serviço de transporte metropolitano, saques e incêndios. Após a convocação de uma série “evasões em massa”, para protestar contra o aumento de 800 para 830 pesos na passagem no horário de pico, os manifestantes passaram a atacar as estações do metrô em Santiago.

Os protestos prosseguiram com a chegada da noite e um prédio da companhia de elétrica ENEL, outro do Banco do Chile e várias estações do metrô foram incendiados. O incêndio no edifício da ENEL, controlado parcialmente após uma hora, começou no setor das escadas externas, e depois se propagou para os escritórios superiores. De acordo com a ENEL, todo o pessoal que trabalhava no local conseguiu sair ileso.

Próximo ao prédio incendiado, um supermercado foi atacado e saqueado, segundo informou uma TV local. Várias estações do metrô também foram incendiadas com coquetéis molotov.

Nessa quinta-feira (17/10/2019), os protestos deixaram 133 presos após ações simultâneas em pelo menos cinco das 164 estações da ferroviária metropolitana, com danos calculados pela empresa estatal entre 400 e 500 milhões de pesos, o equivalente a cerca de 634.000 dólares.

Aceno para o diálogo

Apesar de condenar os atos de violência e das palavras fortes dirigidas aos manifestantes, a quem considerou “verdadeiros delinquentes”, Piñera aproveitou o pronunciamento à imprensa para acenar uma saída dialogada da situação. O presidente disse reconhecer o impacto econômico provocado pelo aumento e prometeu atenuar a situação.

“A alta ocorrida no preço das passagens do metrô obedece ao estabelecido em lei, responde à alta que ocorreu no preço do dólar e do petróleo, e foi determinado por um grupo de especialistas, conforme a legislação. Mas eu compreendo perfeitamente bem e me solidarizo com muito dos compatriotas que se veem afetados por esse tipo de aumento. Por essa razão, nos próximos dias, nosso governo vai iniciar um diálogo transversal e fazer todos os esforços ao nosso alcance para poder atenuar e aliviar a situação dos nossos compatriotas, de forma a poder contribuir para que os mais vulneráveis e os mais necessitados tenham a ajuda que precisam”, disse o presidente.

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tecnologia

Usuários do WhatsApp relatam instabilidades no aplicativo

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O WhatsApp apresentou problemas mais uma vez nesta segunda-feira (11). Usuários de todo o mundo estão reclamando de dificuldades para acessar o mensageiro, com focos principalmente em Shenzhen, na China, em várias áreas da Europa, leste dos Estados Unidos e sudeste brasileiro.

De acordo com o site DownDetector, os relatos de problemas começaram por volta das 12h (de Brasília). As principais reclamações são de dificuldades no envio de mensagens (49%), acesso (30%) e falha geral (20%).

Muitos usuários também reclamam nas redes sociais que não conseguem cadastrar com um novo número de telefone. Ao tentar ingressar, recebem a mensagem “temporariamente indisponível. Tente novamente em 5 minutos”. Alguns até reclamam de mensagem informando terem sido banidos.

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AMÉRICA LATINA

Manifestantes invadem e saqueiam casa de Evo na Bolívia

Vídeo mostra cômodos revirados e paredes pichadas

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Manifestantes saquearam uma casa do ex-presidente da Bolívia Evo Morales na noite deste domingo (10).

Imagens divulgadas pelo jornal El Deber mostram dezenas de pessoas dentro do imóvel, que teve os cômodos revirados e as paredes pichadas com xingamentos como “filho da p…”.

Imagem da casa de Evo Morales em Cochabamba, que foi invadida após sua renúncia, em 10 de novembro de 2019 — Foto: Associated Press

Em seu perfil no Twitter, Morales denunciou que “grupos violentos” assaltaram sua residência. “Os golpistas que assaltaram minha casa e a de minha irmã, incendiaram residências, ameaçaram ministros e seus filhos de morte e humilharam uma prefeita agora mentem e nos culpam pelo caos e violência que eles provocaram”, escreveu o ex-presidente.

Manifestantes encapuzados também invadiram a Embaixada da Venezuela na Bolívia. A Colômbia pediu uma reunião de emergência do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a crise.

A OEA detectou fraudes na eleição presidencial de 20 de outubro, o que fez Morales convocar um novo pleito. Apesar disso, pressões das Forças Armadas, da Polícia, da oposição nas ruas e até de sindicatos pró-governo o forçaram a renunciar.

Todos os integrantes da linha sucessória também entregaram seus cargos, e a Bolívia está sem comando no momento. A Constituição determina que uma eleição seja convocada em até 90 dias no caso de a vacância da Presidência não ser preenchida pelo vice ou pelos mandatários do Senado ou da Câmara.

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