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Animais morrem de fome em meio à pior crise de água do Chile

Falta de chuvas prolongada avança em direção ao sul do Chile, causa migração de milhares de moradores e provoca morte de dezenas de milhares de animais.

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Leito seco do rio La Ligua, na província de Petorca, região de Valparaíso, no Chile, em registro feito no dia 12 de setembro de 2019 — Foto: Martin Bernetti / AFP


“Os animais estão morrendo de fome, de desnutrição. Também não podemos cultivar nada porque não há água para irrigar. Estamos em um ponto crítico, não aguentamos mais.”

A fala é de Aldo Norman, um agricultor de 33 anos que dedicou toda a sua vida à agricultura e à criação de gados. Seu amado vale de Colliguay, na região de Valparaíso, no Chile, costumava ser um local verde, com flora e árvores nativas, como o quillay (típica do Chile).

Hoje, porém, nada disso é visto nas redondezas de sua casa. Em vez de grama, há terra e os poucos arbustos parecem a ponto de cair.

“Isso é sério porque está afetando o modo de vida das pessoas, não podemos mais produzir ou alimentar nossos animais”, acrescenta.
A triste realidade que Aldo Norman enfrenta não está isolada. O mesmo está acontecendo com famílias em sete regiões do Chile, do norte do deserto do Atacama até a região de Ñuble, no centro-sul do país.

A razão? A seca intensa que atinge o país sul-americano e que se arrasta há pelo menos dez anos.

Em 2019, no entanto, o problema ficou mais grave.

A capital do país, Santiago, por exemplo, teve apenas 81 milímetros de chuvas neste ano, de acordo com a Direção Meteorológica do Chile. Enquanto isso, Valparaíso, segunda cidade mais importante do Chile, teve apenas 82 mm de precipitações – a média histórica é de 397 mm.

Como comparação, embora seja três vezes maior em território que Santiago, a cidade de São Paulo registrou 1.272,7 milímetros de chuvas de janeiro a setembro, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), órgão da prefeitura. Só em fevereiro, foram computados 375 mm.

O mesmo cenário de falta de chuvas se repete em várias áreas do Chile, com um déficit de mais de 85% em cidades como La Serena, no norte.

E a previsão para o futuro não é animadora, porque a temporada primavera-verão está apenas começando, e as temperaturas, no centro do Chile, já estão acima de 30ºC.

Segundo o governo e especialistas do Chile, esta é a crise hídrica mais profunda desde 1968.

A escassez de chuvas causou um colapso nos sistemas de irrigação de várias províncias do país, e milhares de pessoas tiveram que ser abastecidas com água por meio de caminhões-pipa.

Cerca de 34 mil animais morreram em virtude da seca.

Segundo o Ministério da Agricultura do Chile, existem também 470 mil cabras, 170 mil bois e vacas e 150 mil ovelhas em “más condições” – ou seja, os animais estão desnutridos e fracos.

A situação é ainda pior se considerarmos que, com o gado magro, os preços por animal caíram acentuadamente, enquanto o valor da forragem para alimentá-los disparou.

“O preço de um bezerro chegava a 200 mil pesos (cerca de R$ 1,1 mil, em cotação atual) e agora está em apenas 60 mil pesos (R$ 348)”, explica Aldo. Ele acrescenta: “Se você não tem recursos, não pode comprar forragem… É por isso que as pessoas estão decidindo vender seus animais a qualquer preço, para que eles não morram”.

A apicultura (criação de abelhas) também foi severamente afetada pela seca. A escassez de água fez com que muitas plantas não florescessem como deveriam, de acordo com o seu ciclo natural. Portanto, o néctar necessário para as abelhas não está sendo produzido.

“Quem deixar suas abelhas aqui vai simplesmente perdê-las”, diz Andres, um apicultor que, depois de 25 anos em Quilpué – região de Valparaíso –, decidiu mudar suas 260 colméias para Linares, uma cidade localizada no centro-sul do Chile.

“Eu nunca tinha visto nada assim, a seca está muito acentuada. Há pessoas avaliando se vale a pena continuar aqui, ou se é hora de comprar algo mais ao sul e simplesmente migrar”, acrescenta o apicultor.
A fala de Andrés não é aleatória: alguns produtores, de fato, já decidiram se mudar para mais ao sul.

Em 12 de setembro, por exemplo, 180 pequenos produtores foram transferidos com seus animais das áreas de Illapel e Salamanca, na região de Coquimbo, para um local perto de Ñuble.

O mesmo está acontecendo, mas em escala maior, em outras cidades da região, como o Monte Patria. Segundo um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), 15% da sua população da área (cerca de 5 mil pessoas) já emigraram por razões climáticas.

E, de acordo com a prefeita da região de Coquimbo, Lucia Pinto, essa área está passando por um processo de desertificação que “não tem retorno”.


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distúrbio

Hong Kong tem novos confrontos neste domingo

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A polícia disparou hoje (17) gás lacrimogêneo contra manifestantes na Universidade Politécnica de Hong Kong, no momento em que a oposição parlamentar critica as Forças Armadas chinesas que, no sábado (16) retirou escombros das ruas.

Hoje, um grande grupo de pessoas voltou a tentar limpar uma estrada cheia de escombros perto do campus da instituição, mas foi advertido pelos manifestantes de que devia se afastar.

A polícia chegou a algumas centenas de metros e disparou várias granadas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que se abrigavam atrás de uma “parede” de guarda-chuvas.

O incidente ocorreu horas depois de intensos confrontos durante a noite desse sábado, em que os dois lados trocaram bombas de gás lacrimogêneo e bombas incendiárias que deixaram focos de incêndio na rua.

Muitos manifestantes entraram para o interior do campus, onde montaram pontos de controle de acesso.

Os manifestantes, que ocuparam vários campus importantes durante a passada semana, recuaram quase por completo, à exceção de um contingente que permanece na Universidade Politécnica.

O mesmo grupo também bloqueia o acesso a um dos três principais túneis rodoviários que ligam a Ilha de Hong Kong ao resto da cidade.

Em outros lugares, trabalhadores e voluntários – incluindo um grupo de soldados chineses que saíram da guarnição – limparam estradas repletas de entulhos no sábado.

Houve incidentes dispersos de manifestantes discutindo e confrontando as pessoas que limpavam as estradas.

Líderes da oposição divulgaram declaração, na qual criticam os militares chineses por se juntarem às operações de limpeza. Os militares têm permissão para ajudar a manter a ordem pública, mas apenas a pedido do governo de Hong Kong.

O governo disse que não havia solicitado a assistência dos militares, descrevendo-a como uma atividade voluntária da comunidade.

*Emissora pública de televisão de Portugal


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EUA

Cientistas descobrem novo tipo da infecção “devoradora de pele”

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Imagem ilustrativa

Após estudarem uma infecção bacteriana que estava a corroer os tecidos de um paciente, médicos das Universidades de Maryland e do Texas, nos Estados Unidos, descobriram um agravante de uma doença já conhecida. Um artigo sobre o caso foi publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences.

A fasceíte necrosante, como é chamada, é uma condição que há muito é conhecida pela comunidade médica e ocorre por conta de uma infecção severa provocada pela bactéria Streptococcus pyogenes. Este microrganismo é comum no sistema digestivo, mas, quando entra em contacto com outras áreas do corpo, devora a pele, os órgãos e o que mais estiver à sua frente, com o intuito de se instalar na corrente sanguínea.

Entretanto, os testes indicaram que a infecção havia sido causada por um outro microrganismo, denominado Aeromonas hydrophila. O quadro clínico evoluiu rapidamente, espalhando-se pelo baço e pelo fígado e tornando-se uma ameaça à vida do paciente.

Tal intrigou os médicos, que decidiram avaliar a composição genética dos microrganismos que atingiam o doente e surpresa! Como relataram num comunicado à imprensa, explicam que a infecção não se deu por uma, mas duas cepas diferentes de bactérias do género Aeromonas, denominadas de NF1 e NF2.

Normalmente, a cepa NF1 permanece localizada e não atinge a corrente sanguínea ou os órgãos, sendo eliminada pelo sistema imunológico do hospedeiro. Já a NF2 produz uma toxina que quebra o tecido muscular e permite que o microrganismo se espalhe pelo corpo da vítima.

O problema, entretanto, ocorreu porque as duas espécies agiram ao mesmo tempo. “Uma das linhagens [NF2] produz uma toxina que quebra o tecido muscular e permite que a outra linhagem [NF1] migre para o sistema sanguíneo e infecte os órgãos”, explicou Rita Colwell, cientista responsável pelo caso.

Além disso, a equipa de médicos apurou que a NF2 permanece localizada e não se espalha pelo corpo, pois, quando entra em contacto com NF1, acaba por morrer. “Agora, temos a capacidade (…) de determinar os agentes infecciosos individuais envolvidos em infecções polimicrobianas”, disse Colwell.

A especialista espera que isso ajude os investigadores a desenvolverem métodos mais poderosos de combate a esses organismos, salvando mais vidas. “Quando tratamos com um determinado antibiótico, estamos a eliminar um organismo do corpo”, explicou a especialista. “Mas se houver outro organismo que esteja a participar na infecção e que também seja patogénico, qualquer tratamento com antibióticos que não atinja essa outra espécie pode estar a abrir caminho para que esta se desenvolva”.

Após o diagnóstico ter sido realizado, o paciente pôde ser tratado pelos médicos e teve de ser operado. Embora lhe tenham sido amputadas ambas as pernas e ambos os braços, conseguiu sobreviver.


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error: Conteúdo protegido. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998