CONECTE CONOSCO

investigação

Veja a lista dos presos pela PF na Operação ‘Tudo Nosso’, que apura contratos com a Prefeitura de Araçatuba

Publicado em

Operação foi coordenada pela Delegacia da PF em Araçatuba (Foto: Regional Press)


A Operação “Tudo Nosso”, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (13), investiga contratos suspeitos firmados com a Prefeitura de Araçatuba na gestão de Dilador Borges (PSDB) e Edna Flor (Cidadania), nos setores de Educação e Assistência Social, que superam a cifra de R$ 15 milhões nos últimos dois anos.

O desvio mensal apurado pela PF é de, pelo menos, R$ 120 mil por mês, no período de 2017 a 2019, que iriam para o principal investigado, o sindicalista José Avelino Pereira, o Chinelo, 64 anos. Os valores desviados, no entanto, podem ser muito maiores, já que a PF não teve acesso a todos os contratos ainda.

De acordo com as investigações, que começaram há dois anos, Chinelo indicou pessoas para ocupar cargos de livre nomeação da Prefeitura que tinham livre trânsito, articulação e informações privilegiadas relacionadas aos contratos com o município, atuando diretamente, e com poder de decisão, dentro das secretarias municipais.

NOMES

O Regional Press apurou que tiveram a prisão temporária (por cinco dias) decretada pela Polícia Federal, além de Chinelo e seu filho, Igor Thiago Pereira, e seu genro, Emerson Cardoso, o diretor do Centro de Controle de Zoonoses, Alexandre Cândido; o assessor executivo da Secretaria Municipal de Administração, Thiago Mendes, que é também presidente do Conselho Municipal de Saúde; o advogado Wanderson Alves dos Santos; o diretor administrativo José Cláudio Ferreira, conhecido como Zé Pera; o presidente do IVVH (Instituto de Valorização à Vida Humana), Eloi Lourenço; a diretora de departamento da Secretaria de Assistência Social, Silvia Aparecida Teixeira; Daniela Amanda e Daiana Franciele, ambas ligadas ao sindicalista Chinelo e o advogado de Jundiaí Ahmad Nazih Kamar. O contador Gilson Martinez não foi localizado pela polícia e e considerado foragido.

Todos eles tiveram participação decisiva nas fraudes, segundo a polícia. A pedido da PF, a Justiça Federal decretou o afastamento cautelar dos servidores públicos municipais envolvidos, objetivando cessar a ação da organização criminosa e garantir a restituição dos valores desviados para o município de Araçatuba.

Delegada da PF Daniela Braga conduziu a investigação

De acordo com as investigações da PF, a falta de fiscalização dos contratos por parte dos servidores investigados possibilitou a contratação das empresas do grupo ligado a Chinelo. “Se a fiscalização tivesse sido feita da forma adequada, teria sido identificada imediatamente a relação entre as pessoas e com isso evitado essa contratação”, afirmou a delegada da PF, Daniela Ferreira Mauro Braga.

Ainda segundo a PF, há indícios de que tenham sido realizados contratos com pelo menos seis empresas vinculadas a um grupo que tem Chinelo como líder, para desviar os recursos públicos. O sindicalista não aparece como proprietário, mas todas as pessoas ligadas às empresas possuem vínculos com ele, inclusive familiares.

A delegada afirmou que não pode dizer que não prestaram os serviços à sociedade. O que há são superfaturamento em notas com divisão posterior com o principal investigado e talvez alguns contratos feitos para atestar determinada atividade que não tenha sido integralmente executada.

Há indícios que o grupo tenha cometido crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, peculato, falsidade ideológica, falsificação de documento público e de organização criminosa.

Ao todo, a PF cumpriu 13 de 15 mandados de prisão temporária, sendo 10 em Araçatuba, 1 em Jundiaí e 2 em Itatiba, além de 39 mandados de busca e apreensão. Duas pessoas que tiveram a prisão temporária decretada não foram localizadas.

Nesta terça-feira, foram feitas buscas nas secretarias municipais de Educação, Assistência Social (ambas ligadas à vice-prefeita, Edna Flor), Saúde e Administração, na sede do PSB em Araçatuba e em residências. Foram apreendidos computadores, celulares e notebooks pessoais dos envolvidos e da própria Prefeitura.

Na sede do PSB, a PF apreendeu joias, dinheiro, inclusive em moeda estrangeira e documentos relacionados à investigação. Também foram apreendidos entorpecentes.

“#TUDO NOSSO”

O nome da Operação “#TudoNosso” faz alusão ao termo frequentemente utilizado pelos investigados, inclusive em redes sociais, nas ocasiões em que obtinham sucesso nas diversas fraudes cometidas no âmbito da Prefeitura de Araçatuba.

Os próximos passos da investigação, segundo a delegada da PF, serão a análise do material apreendido e o depoimento das testemunhas para se chegar a um valor do desvio de recursos públicos e identificar outros crimes que possam ter sido praticados. Não há previsão para a conclusão do inquérito.

Leia Mais:

Chinelo e mais 13 são presos em operação de combate à corrupção em Araçatuba

Os comentários aqui não refletem a opinião do site, e são de responsabilidade do autor. O comentário NÃO É PUBLICADO automaticamente em seu Facebook, fique tranquilo!
Anunciante

DESABASTECIMENTO

Novo rompimento de adutora deixa parte da Zona Leste sem água nesta terça

Publicado em

A Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) informou, nesta manhã, que iniciou manutenção emergencial no Reservatório Panorama para reparar o rompimento de uma adutora. Por isso, sete bairros e dois condomínios da Zona Leste deverão sofrer desabastecimento de água até as 22h terça-feira (22).

Os bairros afetados são Panorama, Alvorada, Concórdia, Pinheiros, Umuarama, Vicente Grosso, João Batista Botelho, Condomínio Royal Boulevard e Condomínio Alphaville.

Conforme a empresa, o imóvel que possui caixa d’água não terá efeitos da paralisação. “Ter um reservatório é fundamental para evitar transtornos durante os trabalhos de manutenção da rede ou outras intervenções que exigem a interrupção do fornecimento de água”, afirmou, em comunicado à imprensa.

A Samar informou, ainda, que a reserva de 200 litros diários para cada morador é suficiente. Assim, uma casa com cinco pessoas deve ter uma caixa com capacidade para ao menos mil litros. “Isso garante o abastecimento da residência por até 24 horas, mesmo sem fornecimento de água da rua”, afirmou a empresa.

Os comentários aqui não refletem a opinião do site, e são de responsabilidade do autor. O comentário NÃO É PUBLICADO automaticamente em seu Facebook, fique tranquilo!
CONTINUE LENDO

CRISE NA ZONA LESTE

Em defesa da Samar, comissário do Daea diz que multar a empresa não adianta

Publicado em

O educador Márcio Saito, que ocupa o cargo de comissário-geral da agência reguladora e fiscalizadora, deu poucas explicações sobre a falta d´água na cidade e enalteceu os investimentos da Samar - Foto: Angelo Cardoso/Câmara Municipal de Araçatuba

O comissário-geral do Conselho Administrativo da Agência Reguladora e Fiscalizadora Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba), Márcio Saito, disse, nesta segunda-feira (21), na Câmara Municipal de Araçatuba, que multar a Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) pelo desabastecimento de água na Zona Leste, no início deste mês, não irá resolver o problema.

Em uma postura de defesa da empresa, Saito disse que a aplicação da multa é um processo demorado, que exige ampla defesa da parte envolvida e que os recursos da autuação não seriam aplicados na solução das falhas ocorridas entre os dias três e seis de outubro, que deixaram mais de 40 mil pessoas sem água.

Não é a primeira vez que o Daea se exime de multar a empresa que deveria fiscalizar. Em março deste ano, quando a Samar deixou mais de 60 mil pessoas da Zona Sul (região do Jussara) com as torneiras secas, a agência reguladora aceitou os argumentos da concessionária de água e esgoto.

Desta vez, parece não ser diferente. Em sua explanação, na Câmara, Saito parecia mais um funcionário da Samar fazendo o seu marketing, enaltecendo investimentos e novidades para o sistema de abastecimento da cidade. Sobre o problema na Zona Leste, limitou-se a repetir as explicações da Samar e demonstrou não ter uma análise própria da agência sobre o que ocorreu.

Conforme resolução de 2014, as multas em caso de descumprimento de contrato, a empresa pode ser multada em valores que variam de R$ 500,00 a R$ 1 milhão. O prazo máximo de descontinuidade no fornecimento de água é de 24 horas. No caso da Zona Leste, foram mais de 96 horas sem água nas torneiras.

O comissário-geral, que em sua página no Linkedin (rede social voltada para perfis profissionais) se descreve como educador e religioso, admitiu que o Daea não tem um profissional habilitado para fiscalizar as obras e o cumprimento das obrigações da concessionária previstas em contrato.

Além de Saito, a agência mantém o agrônomo Petrônio Pereira Lima (ex-secretário municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade) como comissário-adjunto e Moacir Duarte Pires como comissário-procurador, que exige formação em Direito.

CONSULTOR É DE SÃO PAULO

Sem técnicos habilitados em seu quadro para fazer a fiscalização, a agência mantém um consultor, Aluísio de Barros Fagundes, engenheiro civil de formação, para este papel. No entanto, o técnico mora em São Paulo e não estava em Araçatuba quando ocorreu a crise de abastecimento de água na Zona Leste. O profissional só veio ao município na segunda-feira (7), quando o fornecimento de água já estava praticamente normalizado.

Esta revelação causou indignação nos vereadores que sabatinavam o comissário-geral. “O erro mais grave, no desenrolar das nossas questões, foi o consultor ser de São Paulo, o mundo estar pegando fogo em Araçatuba, ele ganha dinheiro público para trabalhar e vocês não trouxeram ele pra cá, esperaram a segunda-feira quando já estava normalizando? Isso foi uma falha horrorosa, foi uma falta de comprometimento com a população”, disparou o vereador professor Cláudio (PMN).

O parlamentar disse ainda que os comissionários ganham salário muito bons e que “espera que a agência reguladora não seja um carimbo da Samar”.

O vereador Arlindo Araújo (Cidadania) disse que é “flagrante a bagunça” na agência reguladora. “Quem nomeia os componentes da agência reguladora é o prefeito. O prefeito nomeou pessoas que não têm conhecimento técnico nenhum para fiscalizar a Samar. A Samar faz eles todos de tontos e o povo é que se lasque. É flagrante isso. Esta é a consequência de nomeações políticas”, disse o parlamentar.

Na mesma linha, foi o vereador Lucas Zanatta (PV). “É triste ouvir que não há um técnico efetivo no Daea, que só possui nomeações políticas. Não estamos tratando aqui de uma agência somente, mas de um assunto técnico extremamente complicado”, ponderou.

 

Os comentários aqui não refletem a opinião do site, e são de responsabilidade do autor. O comentário NÃO É PUBLICADO automaticamente em seu Facebook, fique tranquilo!
CONTINUE LENDO
error: Conteúdo protegido. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998
89