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Conversas vazadas

Moro sugeriu a força-tarefa ação contra ‘showzinho’ da defesa de Lula, diz site

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-juiz Sergio Moro sugeriu a procuradores do MPF (Ministério Público Federal) uma ação para rebater a defesa do ex-presidente Lula (PT) após depoimento do petista à Lava Jato, segundo novas mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil na noite desta sexta-feira (14).

O site divulgou no domingo (9) as primeiras conversas entre Moro, que hoje é ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PSL), e membros do MPF na época em que atuava na força-tarefa da operação. Uma fonte anônima, segundo o Intercept, repassou mensagens no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

O conteúdo tornado público agora mostra, segundo o site, reações de Moro e de procuradores como Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato no MPF, e Carlos Fernando dos Santos Lima ao depoimento concedido por Lula ao então juiz no caso do tríplex de Guarujá, em 2017.

As mensagens foram reproduzidas da forma como o site as publicou, sem correções ou revisão gramatical.

No dia em que o petista foi ouvido, Moro trocou impressões com Carlos Fernando sobre o depoimento e sugeriu, de acordo com o relato do Intercept, que o MPF divulgasse uma nota para expor o que considerou contradições da fala de Lula.

“Talvez vcs devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele”, escreveu Moro às 22h12 do dia 10 de maio de 2017.

“Por que a Defesa já fez o showzinho dela”, completou o então juiz um minuto depois, às 22h13.

Segundo o site, Carlos Fernando respondeu: “Podemos fazer. Vou conversar com o pessoal. Não estarei aqui amanhã. Mas o mais importante foi frustrar a ideia de que ele conseguiria transformar tudo em uma perseguição sua [de Moro]”.

O site também publicou mensagens disparadas pelo procurador, na sequência dessa conversa, a um grupo do qual participavam membros da assessoria de imprensa do MPF.

Carlos Fernando perguntou: “Será que não dá para arranjar uma entrevista com alguém da Globo em Recife amanhã sobre a audiência de hoje?”. Ele estaria na capital pernambucana no dia seguinte para um congresso jurídico.

Assessores que não tiveram os nomes revelados pelo Intercept passaram então a questionar as implicações de uma entrevista. “Possível é, só não sei se vale a pena. E todos os jornalistas que estão aqui e já pediram entrevista?”, indagou um dos assessores.

Outro ponderou: “vcs nunca deram entrevista sobre audiência…vai servir pra defesa bater…mais uma vez…”.

Depois desse diálogo, Carlos Fernando encaminhou em uma mensagem privada para Deltan copiando a conversa que teve minutos antes com Moro.

Deltan passou, então, a comentar a sugestão feita pelo ex-juiz. “Então temos que avaliar os seguintes pontos: 1) trazer conforto para o juízo e assumir o protagonismo para deixá-lo mais protegido e tirar ele um pouco do foco; 2) contrabalancear o show da defesa”, afirmou o procurador.

“Esses seriam porquês para avaliarmos, pq ng tem certeza. O ‘o quê’ seria: apontar as contradições do depoimento. E o formato, concordo, teria que ser uma nota, para proteger e diminuir riscos. O JN vai explorar isso amanhã ainda. Se for para fazer, teríamos que trabalhar intensamente nisso durante o dia para soltar até lá por 16h”, acrescentou Deltan.

Logo depois, ele foi ao grupo “Análise de clipping”, dos assessores de imprensa da instituição, pedir que fosse monitorada a repercussão do depoimento de Lula, “em especial verificando se está sendo positiva ou negativa e se a mídia está explorando as contradições e evasivas”.

Um assessor, que também não foi identificado pelo site, disse ao procurador que eventual manifestação para “contrabalancear as manifestações da defesa”, como Deltan sugeriu, poderia ser “um tiro no pé”.

“Na minha visão é emitir opinião sobre o caso sem ele ter conclusão…e abrir brecha pra dizer que tão querendo influenciar juiz. Papel deles vai ser levar pro campo político. Imprensa sabe disso. E já sabe que vcs não falam de audiências geralmente. Mudar a postura vai levantar a bola pra outros questionamentos. Pq resolveram falar agora? Pq era o ex-presidente? E voltar o discurso de perseguição…é o que a defesa fez, faz…pq não tem como rebater a acusação. Acusação utilizar da mesma estratégia pode ser um tiro no pé”, escreveu o assessor de imprensa.

Em meio à discussão, Deltan escreveu a Moro. Além de cumprimentá-lo pela condução do depoimento, informou que a emissão da nota estava sendo estudada: “Caro parabéns por ter mantido controle da audiência de modo sereno e respeitoso. Estamos avaliando eventual manifestação. A GN [GloboNews] acabou de mostrar uma série de contradições e evasivas. Vamos acompanhar”.

Moro, então, afirmou: “Blz. Tb tenho minhas dúvidas dá pertinência de manifestação, mas eh de se pensar pelas sulilezas envolvidas”.

No dia seguinte, 11 de maio, a equipe do MPF acabou por publicar uma nota para expor o que julgou serem contradições de Lula, como havia indicado Moro.

O texto disparado à imprensa foi publicado em reportagem da Folha de S. Paulo e em outros veículos de comunicação.

Na nota, os procuradores afirmavam que, entre as contradições, estavam “a imputação de atos à sua falecida esposa, a confissão de sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras e a ausência de explicação sobre documentos encontrados em sua residência”.

Na época, a defesa de Lula reiterou que ele era inocente e deu declarações afirmando que ele conseguiu provar isso no depoimento. O petista afirmou a Moro que não era dono do tríplex. Em julho de 2017, o então juiz condenou o ex-presidente pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do imóvel.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a assessoria de Moro ainda não se manifestou sobre as novas informações divulgadas pelo site. A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba disse que, por enquanto, não se pronunciaria.

O Intercept relatou que procurou a equipe do ministro nesta sexta-feira e apresentou com antecedência todos os pontos mostrados na reportagem.

O site publicou ter recebido como resposta a seguinte nota: “O ministro da Justiça e Segurança Pública não comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa de hackers e que podem ter sido adulteradas e editadas, especialmente sem análise prévia de autoridade independente que possa certificar a sua integridade. No caso em questão, as supostas mensagens nem sequer foram enviadas previamente”.

A força-tarefa da Lava Jato no MPF também não se pronunciou sobre os conteúdos recém-divulgados. Da mesma forma, a defesa de Lula ainda não comentou as novas revelações.

O episódio das mensagens vazadas pelo Intercept foi explorado ao longo da semana por adversários de Moro e membros da oposição ao governo Bolsonaro. O presidente disse que Moro “faz parte da história do Brasil” e defendeu seu auxiliar.

“O que ele [Moro] fez não tem preço. Ele realmente botou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção”, afirmou o presidente nesta quinta-feira (13).

Nesta sexta, ele disse não ter visto maldade na troca de colaborações entre o ex-magistrado e membros da equipe de investigadores da Lava Jato. “Não vejo nenhuma maldade em advogado conversar com promotor, Polícia Federal falar com promotor. Tem que se falar para achar denúncia robusta.”

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PERDA

Morre economista e ex-ministro do Trabalho Walter Barelli

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POLÍTICA

Palocci diz que bancos doaram R$ 50 milhões ao PT em troca de favores

Ex-ministro informou que os governos dos petistas Lula e Dilma foram beneficiados. Instituições financeiras citadas na delação negam esquema

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O ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci afirmou que alguns dos principais bancos do país fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Trechos da delação premiada, homologada pela Justiça, foram obtidos pelo jornal O Globo.

Palocci citou casos envolvendo Bradesco, Safra, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Segundo o ex-ministro, o objetivo das instituições era, entre outros, conseguir informações privilegiadas sobre mudanças na taxa Selic e buscar apoio do governo na defesa de interesses, tanto dos bancos como dos acionistas.

Quase todos os citados durante a delação, no entanto, negaram as supostas irregularidades apresentadas pelo ex-ministro da Casa Civil. Procuradas, apenas as assessorias dos bancos Safra e BTG Pactual não responderam aos questionamentos.

O Bradesco classificou as acusações de “ilações descabidas”. O Itaú Unibanco pontuou que fez doações em valores iguais a diferentes partidos. O Banco do Brasil informou que as concessões de crédito são feitas de forma técnica. O grupo Votorantim afirmou, em nota, que não existe ilícito no episódio citado.

Palocci define essas doações como “vantagens indevidas de modo dissimulado”. Ao fechar o acordo de delação com a Polícia Federal (PF), após ter a proposta negada pelo Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro também entregou provas com a intenção de corroborar os relatos. Entre elas, anotações da agenda e registros de um aparelho no carro.

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MINAS GERAIS

Após conseguir semiaberto, goleiro Bruno pode deixar prisão a qualquer momento

Benefício foi concedido em decisão publicada nesta quinta-feira (18) pela 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Varginha.

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REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Após conseguir o direito à progressão ao regime semiaberto, o goleiro Bruno Fernandes pode deixar a prisão a qualquer momento. O benefício foi concedido em decisão publicada nesta quinta-feira (18) pela 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Varginha, onde ele cumpre pena, e deve ser executado ainda nesta sexta-feira (19).

Mas para entender por que o benefício foi adquirido agora talvez seja necessário relembrar todo o caso envolvendo o caso de Bruno. O goleiro foi condenado pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samúdio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido de Bruno, de quem foi amante.

O goleiro, que na época dos crimes atuava pelo Flamengo, foi detido em julho daquele ano e levado para a Penitenciária Nelson Hungria. Pouco depois, o clube anunciou a demissão do jogador, que seguiu preso e foi condenado em primeira instância em março de 2013.

“Sabia e imaginava”, disse Bruno durante a audiência que terminou em sua condenação.
Ele também havia sido condenado por ocultação de cadáver, mas esta pena foi extinta, porque a Justiça entendeu que o crime prescreveu. As penas somadas, que eram de 22 anos e 3 meses, caíram, então, para 20 anos e 9 meses de prisão.

Eliza Samúdio e o ex-goleiro Bruno — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/TV Globo

Saída temporária da prisão

O caso, no entanto, ficou parado na Justiça, sem ser julgado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Com isso, os advogados de Bruno entraram com um pedido de habeas corpus, que foi deferido em uma liminar expedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 24 de fevereiro de 2017.

À época, Mello entendeu que os recursos apresentados pela defesa deveriam ser julgados para determinar se o réu continuaria preso ou não. Bruno deixou a prisão no mesmo dia.

A partir daí, começaram as especulações sobre qual seria o destino de Bruno, que ainda tinha um contrato com assinado com o Montes Claros FC, mas procurava um time para retomar sua carreira. O suspense começou a ser encerrado quando o goleiro foi visto almoçando com a diretoria do Boa Esporte em 10 de março e e disse: “Não vim à toa”.

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