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Sem reajuste, poder de compra do Bolsa Família volta ao nível de 2010

Comparativo sobre a aquisição de cestas básicas, levando em conta a inflação, mostra que o programa tem a pior relação há quase nove anos.

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Recentemente, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que estabeleceria o pagamento do 13º salário do Bolsa Família. Essa medida substituiu um reajuste no benefício que é repassado mensalmente a mais de 14 milhões de brasileiros. Mesmo com esse acréscimo, porém, houve uma redução no poder de compra do programa que, neste ano, voltou aos patamares mais baixos desde 2010. Atualmente, com o valor médio do benefício, é possível adquirir menos da metade dos produtos de uma cesta básica.

Ao longo dos anos, o programa já havia acumulado perdas no poder real de aquisição – que leva em consideração a inflação – segundo pesquisa realizada pelo professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Wilhelm Eduard Meiners. Em 2010, a quantia recebida pelos beneficiários do programa – cerca de R$ 168 – comprava 42% dos produtos de uma cesta básica. O valor aumentou para 48,9% no ano seguinte e bateu no teto de 52,5% em 2014 – ano em que Dilma Rousseff (PT) concorreu de forma bem-sucedida à reeleição. Daí até o seu impeachment, houve apenas quedas.

Meiners explica que, entre 2011 e o início de 2016, período compreendido pelo governo Dilma, houve uma perda acumulada de 18% no poder de compra de alimentos. No governo de Michel Temer, que realizou dois reajustes, houve recuperação no valor médio do auxílio, que bateu no seu teto em 2017, quando respondia por 48,5% do valor de uma cesta básica. A falta de reajustes neste ano, entretanto, voltou a reduzir o poder de compra de produtos da cesta básica, que já havia sido observado em 2018.

Para o economista da PUC, a decisão do governo de, ao invés de conceder reajuste, estabelecer um 13º pagamento, maquiou a perda. “O que se percebe é: ‘se dá com uma das mãos e se retira com a outra’”.

“Básico do básico”
A estudante Karinne Sales dos Santos, de 40 anos, é beneficiária do programa há três anos e recebe mensalmente R$ 212. Ela conta que tem três filhos, mas só garante o auxílio por conta de um deles, que tem menos de 18 anos. Em sua avaliação, a quantia estabelecida pelo governo é suficiente apenas para “o básico do básico”.

“É um valor muito baixo. O que eu faço com ele [dinheiro] é pagar a nossa moradia – um apartamento que ganhei do governo –, e comprar um arroz e um feijão. É o básico do básico”, afirmou Karinne. A estudante ainda disse que a quantia “não dura nem uma semana”. “É muito pouco”, lamentou.

Nos últimos três anos, o programa foi reajustado duas vezes, ambas no governo Temer. Contudo, Karinne diz não ter notado o acréscimo no bolso. “Aumentou pouca coisa. Não fez diferença. Eu nem percebi de quanto foi o reajuste”, pontuou a estudante. Ela disse ainda que, mesmo sem notar a diferença nos últimos reajustes, acha mais interessante que o estabelecimento do recebimento do 13º. “O dinheiro não vai durar por muito tempo”, comentou.

De acordo com Meiners, com base na inflação prevista, o programa pode chegar ao final do ano com uma perda acumulada de 11% no valor médio do benefício na comparação com o último reajuste, feito em 2018. No exemplo da cesta básica, a queda de poder de compra observada até agora é de 19%, e pode superar 22% até o final de 2019.

“Tais dados revelam, na realidade, uma compressão dos benefícios do Bolsa Família nos últimos anos, contrariando o discurso oficial”, avaliou o economista.

Programa

O Bolsa Família foi criado pelo governo Lula (PT) em outubro de 2003, através da unificação de quatro benefícios anteriores, criados por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de transferência de renda à população em situação de extrema pobreza – Bolsa Escola, Auxílio Gás, Bolsa Alimentação e Cartão Alimentação. Ele é destinado a dois tipos de famílias: pobres, com renda mensal de até R$ 178 por pessoa, e extremamente pobres, com ganho até R$ 89.

O valor do benefício é calculado caso a caso, levando em conta o número de crianças, adolescentes e mulheres gravidas na residência. Ele varia entre R$ 41 e R$ 372. São esses valores que permanecem “congelados” e sem correção neste ano.

Ao ingressar no programa, os usuários devem estar atentos às chamadas condicionalidades do Bolsa Família, que são compromissos assumidos pelos beneficiários e pelo poder público para a superação da pobreza. Na área da educação, crianças e adolescentes com idades entre 6 e 15 anos devem ter, no mínimo, 85% de presença nas aulas. Para jovens de 16 a 17 anos, a frequência mínima exigida é de 75%.

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Fonte: METRÓPOLES
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investigação

Ex-executivo da Odebrecht que delatou Aécio e Lobão é encontrado morto no Rio

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A Polícia do Rio investiga a morte do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Henrique Serrano do Prado Valladares, delator da Operação Lava Jato que revelou supostas propinas para o deputado Aécio Neves (PSDB/MG) e para o ex-senador Edison Lobão (MDB/MA), ex-ministro dos Governos Lula e Dilma.

O registro oficial da 14ª Delegacia, no Leblon, aponta “causa indeterminada”. O corpo foi encontrado nesta terça-feira, 17, no apartamento onde o delator morava. A polícia abriu uma guia de remoção para que os Bombeiros levassem o corpo ao Instituto Médico Legal (IML).

As primeiras investigações indicam que não havia sinais de arrombamento no apartamento, nem evidências de luta. O corpo já passou por necropsia e foi liberado para a família.

Valladares foi apontado por outros delatores da empreiteira como um dos negociadores de R$ 30 milhões de propina para Aécio atuar a favor dos Projetos do Rio Madeira (Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia) e, assim, atender interesses da empreiteira e também da Andrade Gutierrez.

Valladares contou que a empreiteira pagava prestações de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, repassados pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas do grupo, para “Mineirinho”, codinome atribuído a Aécio. O delator também dedicou parte de suas revelações a Lobão, ou “Esquálido”, como o ex-ministro e ex-senador era rotulado nas planilhas de propinas da empreiteira.

Segundo Valladares, o ex-ministro recebeu R$ 5,5 milhões para rever o leilão da usina de Jirau e a Odebrecht assumisse o empreendimento. O delator contou que “Esquálido” teria cobrado uma “contrapartida” após reunião com os executivos da empreiteira. “Ele sinalizava que iria nos ajudar. E que precisava de nossa ajuda, de propina”, declarou Valladares.

Segundo Valladares, o então presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, “acreditou nisso”. “Sem que ele (Lobão) entregasse nada, simplesmente para que ele fizesse um esforço de, usando nossos argumentos, que eram verdadeiros e absolutamente legais, ele criasse um contraponto na Casa Civil, para isso surgiu um pagamento de R$ 5,5 milhões. Com certeza, caixa 2”, afirmou o delator.

O pagamento da propina, relatou Valladares, foi feito em algumas ocasiões, com entrega de dinheiro diretamente na casa do filho de Lobão, Márcio Lobão, no Rio.

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura disse, ainda, que em encontros em São Paulo, Lobão Filho falava que podia “ajudar a Odebrecht em obras, mas que isso exigia contrapartidas da empreiteira”. Em suas reuniões com o ministro Lobão em Brasília, Valladares disse que era recebido no gabinete com gaspacho, uma tradicional sopa espanhola. “Ele é magro que nem um palito, e se alimenta a base de gaspacho”, disse Valadares.

Depois de acertar os pedidos e propinas, disse o delator, Lobão pedia para que o “fiscal” entrasse no gabinete, para registrar os temas e discussões feitas durante o encontro.

Defesas

Tanto o deputado Aécio Neves quanto o ex-ministro Edison Lobão sempre negaram enfaticamente a prática de ilícitos e o recebimento de propinas da Odebrecht.

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Joinville (SC)

Homem quebra teto de hospital e usa sangue para se soltar de algema

O indivíduo tentou fugir de um hospital de Joinville; ele havia sido detido pela Polícia por tráfico de drogas

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Um homem preso por tráfico de drogas de 26 anos tentou fugir de um hospital de Joinville (SC) na madrugada dessa terça-feira (17/09/2019). Segundo informações da Polícia Civil, ele conseguiu se soltar da algema presa à maca usando o próprio sangue como lubrificante, quebrou o teto do local, caiu em cima de uma paciente e pulou a janela do hospital.

O indivíduo foi detido pela Polícia Militar do lado de fora da casa de saúde e voltou a ser internado. Segundo informações do site G1, ele foi preso na tarde de segunda-feira (16/09/2019) pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Joinville. Durante o flagrante, começou a passar mal e confessou aos policiais que havia engolido papelotes de cocaína.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Fábio Estuqui, o homem causou diversos danos à instalação. Além de cair em cima de uma paciente, que não teve ferimentos graves, ele quebrou remédios de uso controlado. A Polícia Civil vai abrir inquérito contra ele para responder pelo dano ao patrimônio público.

Ainda segundo o delegado, o indivíduo possui um comportamento reiterado de tráfico de drogas. “Ele é um jovem bem ardiloso, tem comportamento bem frio. Ele não tem nenhuma responsabilidade social, poderia ter causado uma lesão na paciente”, destacou.

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POLÍTICA

Brasil já perdeu R$ 3,5 bilhões no comércio com EUA e Israel

Balança comercial brasileira em 2019 é negativa com países de fora do continente alinhados ao governo de Jair Bolsonaro

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Os dois países mais alinhados ao governo de Jair Bolsonaro e com maior influência no xadrez da geopolítica mundial deram prejuízo no comércio ao Brasil até agora em 2019. De janeiro e agosto deste ano, a balança comercial brasileira teve saldo negativo de 352 milhões de dólares e de 519 milhões de dólares, respectivamente, com Estados Unidos e Israel. No total das transações com os dois, o Brasil perdeu 871 milhões de dólares (cerca de R$ 3,5 bilhões).

Com relação a países europeus com governos nacionalistas e de extrema-direita, como Itália, Hungria, Polônia e República Checa, a diferença entre exportações e importações também é desfavorável ao Brasil. Apenas os sul-americanos “amigos” contribuem positivamente.

O país que mais se beneficiou do comércio com o Brasil foi Israel, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de quem Bolsonaro é aliado no Oriente Médio. A diferença entre exportações e importações nos oito primeiros meses do ano foi de US$ 519 milhões negativos na balança brasileira. O “rombo” foi maior que o do mesmo período de 2018, quando o saldo foi de US$ 446 milhões negativos.

Em abril deste ano, o presidente esteve em Israel e, demonstrando seu apoio internacional ao país, visitou o Muro das Lamentações – um dos símbolos mais sagrados do judaísmo – ao lado de Netanyahu, algo inédito para um chefe de estado brasileiro, já que o local também é reivindicado pela Palestina.

Nesta terça-feira (17), ocorreram eleições legislativas em Israel. Até o momento, Netanyahu, do campo da extrema-direita, e seu adversário Benny Gantz, de centro-direita, estão empatados na apuração dos votos e nenhum dos dois teria capacidade para formar um novo governo.

Já os Estados Unidos, um dos principais aliados do governo brasileiro na geopolítica mundial, “lucrou” US$ 352 milhões com o Brasil até agosto. A balança comercial com os norte-americanos tem variado bastante nos últimos anos. Em 2018, nos oito primeiros meses, o valor das importações brasileiras superaram ainda mais as exportações, e o País perdeu US$ 839 milhões.

No ano anterior, em 2017, o saldo foi positivo para o Brasil: US$ 922 milhões. Já em 2015 e 2016, foram os americanos que receberam mais dólares: US$ 2,1 bilhões e US$ 543 milhões, respectivamente.

Após mais de uma década com uma política externa alinhada a países emergentes, como os do bloco BRICS (designação para se referir à Rússia, Índia, China, África do Sul, além do Brasil), o País voltou a se aproximar dos EUA com Bolsonaro no poder.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já prometeu, por exemplo, o apoio à entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Em troca, o Brasil renunciaria ao status de nação em desenvolvimento na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Todos os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e foram verificados no portal Comex Stat, site oficial do órgão para estatísticas de comércio exterior do Brasil.

Europeus alinhados ao Brasil

Na Europa, os números também mostram perdas na balança comercial com Itália, Hungria e República Checa. Respectivamente, entre janeiro e agosto, o Brasil teve “prejuízo” de US$ 503 milhões, US$ 158 milhões e US$ 226 milhões.

A Polônia é a exceção. O país do leste europeu exportou mais do que importou do Brasil, que neste caso ficou com saldo positivo de US$ 146 milhões. Apesar disso, o valor foi menor que os US$ 171 milhões de 2018. O presidente da Polônia, Andrzej Duda, se reuniu com Bolsonaro em Brasília, em janeiro deste ano, e disse que o País compartilha os “mesmos valores” de seu governo.

Saldo positivo na América do Sul

Com os países vizinhos alinhados ao governo Bolsonaro, o Brasil tem uma balança comercial favorável. Colômbia, Paraguai e Chile renderam ao País, respectivamente, US$ 1,1 bilhão, US$ 721 milhões e US$ 1,3 bilhão.

Nos últimos anos, o Brasil têm sempre exportado mais que importado para os três. Porém, com relação a Paraguai e Chile, os valores foram maiores no mesmo período do ano passado. Enquanto o saldo positivo do primeiro caiu de US$ 1,2 bilhões para US$ 721 milhões, a do segundo foi de US$ 1,7 bi para US$ 1,3 bi.

A Colômbia foi a única que passou a exportar mais do que importar neste ano, beneficiando a balança comercial brasileira. Em 2018 o “lucro” brasileiro entre janeiro e agosto havia sido de US$ 603 milhões. O salto no período foi de US$ 480 milhões.

A Colômbia, governada por Iván Duque, tem sido uma das principais aliadas do governo de Bolsonaro na América do Sul, principalmente no que diz respeito à crise político-econômica na Venezuela. Nenhum dos dois países reconhecem o governo de Nicolás Maduro e consideram o líder da oposição Juan Guaidó como o presidente interino venezuelano.

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erro: Conteúdo protegido. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998
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