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Falha de segurança

Programa suspeito de usar brecha no WhatsApp é de empresa israelense

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Segurança do WhatsApp foi comprometida por brecha em sistema de ligação — Foto: REUTERS/Thomas White


A brecha nas chamadas de áudio do WhatsApp, confirmada pela empresa nesta terça-feira (14), trouxe à tona também o NSO Group, uma pouco conhecida empresa de cibersegurança israelense.

O grupo é responsável pelo software espião Pegasus, capaz de coletar quase todas as informações de um celular — ligações, câmera, contatos e mensagens, entre outros. O programa teria sido usado por hackers na falha no Whatsapp. A NSO nega envolvimento no caso.

Pesquisadores afirmam que o ataque tem “todas as características de uma empresa privada que supostamente trabalha com os governos” para entregar um spyware que assume as funções dos sistemas operacionais de telefonia móvel.

Em nota ao G1, um porta-voz do NSO Group disse que a empresa vende o Pegasus, mas não opera o sistema. A venda se dá, segundo o porta-voz, depois de uma “rigorosa análise” dos compradores, exclusivamente para governos e para agentes de segurança de Estados que investigam e combatem criminosos e terroristas.

“Agentes da lei e de inteligência determinam como usar a tecnologia para suporte a missões de segurança pública. Nós investigamos qualquer alegação crível de mal uso e, se necessário, tomamos ação, incluindo a derrubada do sistema”, disse o porta-voz.

O software é capaz de monitorar a troca de mensagens do smartphone atingido e até de permitir ao invasor acessar o GPS do aparelho, mostrando onde o dono do celular esteve. Gravar imagens e áudios usando câmera e microfone do aparelho também estão na lista do que o Pegasus é capaz de fazer.

Por ser tão poderoso e específico, estima-se que o Pegasus seja negociado por milhões de dólares. De acordo com a agência Reuters, em 2015, o NSO tinha vendas anuais de mais de US$ 75 milhões.

O programa espião da empresa apareceu pela primeira vez em 2016, quando o Pegasus foi usado para invadir e espionar um ativista de direitos humanos nos Emirados Árabes Unidos.

“O NSO é uma empresa muita quieta e multimilionária conhecida justamente por esse tipo de serviço”, afirma Alexandre Bonatti, diretor de engenharia de sistemas da empresa de segurança digital Fortinet no Brasil. “A posição deles é que comercializam um software, não que fazem espionagem. Os produtos são só vendidos para governos. Mas isso é bastante controverso, há casos de governos que já usaram o Pegasus para perseguição, como Arábia Saudita e México”.

Polêmicas no México e Arábia Saudita

De 2016 pra cá, a tecnologia foi mencionada como a ferramenta utilizada em uma série de ataques polêmicos, como para espionar pessoas próximas do jornalista do “Washington Post”, Jamal Khashoggi, morto em um consulado saudita na Turquia em outubro de 2018.

O ativista canadense Omar Abdulaziz, que teve contato com o jornalista saudita, foi vítima do Pegasus e moveu uma ação contra a empresa israelense por acreditar que a espionagem foi realizada ilegalmente por autoridades sauditas.

No México, são conhecidos 24 casos do uso do software e as vítimas dos ataques incluem ativistas anticorrupção, advogados, políticos e até o filho de uma jornalista. Muitos deles recebiam mensagens SMS com um link suspeito que, se fosse clicado, seria o suficiente para instalar o Pegasus no smartphone.

O centro de pesquisas Citizen Lab, vinculado à Universidade de Toronto, já divulgou relatórios que apontam que o Pegasus pode ter sido utilizado até no Brasil.

“A grande maioria das legislações de dados permitem esse tipo de espionagem, desde que isso seja usado para garantir a segurança nacional. O NSO é conhecido justamente por explorar esse ponto”, disse Bonatti.

Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, denunciam os ataques feitos pelo NSO Group, e querem que o governo de Israel tome providências para impedir a empresa de exportar o software Pegasus.

“O Ministério da Defesa de Israel ignorou as evidências ligando o NSO Group a ataques em defensores de direitos humanos”, disse a vice-diretora de tecnologia da Anistia Internacional, Danna Ingleton, em carta nesta terça-feira. “ Enquanto produtos como o Pegasus forem comercializados sem controle próprio e supervisão, os direitos e a segurança de ativistas, jornalistas e dissidentes ao redor do mundo estarão sob risco”.

Segundo Bonatti, da Fortinet, não há é ilegal que a empresa comercialize esse software, dentro das regras do governo de Israel. “A ilegalidade está quando um governo utiliza desse meio para um fim diferente que não seja a segurança nacional”, afirma o especialista.

Ataques no WhatsApp

A falha do WhatsApp foi primeiro reportada pelo jornal britânico “Financial Times” e posteriormente confirmada pela empresa, em nota oficial, que afirmou que a falha havia sido corrigida.

Além de um advogado e um ativista britânicos, ouvidos pelo “Financial Times”, não se sabe quantas pessoas foram infectadas. As notícias da falha varreram o mundo e preocuparam os 1,5 bilhão de usuários do WhatsApp — muitos deles no Brasil.

O WhatsApp assegurou que, logo após tomar conhecimento dos ataques, alertou organizações de direitos humanos (que estavam entre as vítimas da espionagem), empresas de segurança cibernética e o Departamento de Justiça dos EUA.

O que se sabe é que a falha explorava um problema que existia no sistema de ligação do WhatsApp: o atacante ligava para o telefone que seria invadido antes mesmo de o usuário atender ao telefone. Depois de feita a invasão, até mesmo o histórico de ligações poderia ser apagado.

A diferença desse ataque para outros que envolvem o Pegasus é que este ataque não requer uma interação do alvo. Em outros casos, era necessário que o usuário clicasse em um link enviado por mensagem: agora apenas receber a ligação seria o suficiente para ser infectado.

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Fonte:
G1
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BOLÍVIA

Apuração aponta Evo Morales vencedor e eleitores se revoltam

Anúncio gera tumultos entre eleitores, e rival Carlos Mesa classifica votação de fraude

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Edifícios incendiados, confrontos com a polícia e tumultos marcaram a noite de segunda-feira (21) na Bolívia, após a divulgação de resultados eleitorais do primeiro turno das eleições presidenciais que apontam a reeleição do atual presidente Evo Morales.

Em Sucre, capital constitucional, uma multidão incendiou o tribunal eleitoral local, enquanto confrontos com a polícia ocorriam em La Paz e Potosí e a sala de campanha do partido governante era saqueada em Oruro, relataram os jornais La Razón e Los Tiempos, assim como a agência de notícias AFP.

Após interromper a divulgação dos resultados na noite de domingo, quando os números indicavam que haveria um segundo turno, o Tribunal Supremo Eleitoral divulgou uma nova parcial do sistema de contagem rápida na noite desta segunda-feira, que colocava Morales na liderança, com 46,87% dos votos, enquanto Mesa aparecia com 36,73%, com 95,3% dos votos contados.

Para ser eleito em primeiro turno na Bolívia, é preciso ultrapassar os 50% dos votos ou obter ao menos 40% dos votos e uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo candidato mais votado. Com a última parcial do órgão eleitoral, a diferença entre Morales e Mesa era de 10,14 pontos percentuais.

Após o Tribunal Supremo Eleitoral apontar Morales como vencedor em primeiro turno do pleito nacional, o principal adversário, Carlos Mesa, classificou a votação de fraude.

“Não vamos reconhecer esses resultados, que fazem parte de uma fraude vergonhosa que está colocando a sociedade boliviana em uma situação de tensão desnecessária”, disse Mesa, em Santa Cruz.

Na noite de domingo, após o fim da votação, a divulgação dos resultados parciais foi inexplicavelmente interrompida na página na internet do órgão eleitoral – os dados da contagem rápida apontavam Morales na liderança (45,25%), seguido pelo centrista Mesa (38,16%), com quase 84% da apuração concluída. A parcial indicava, portanto, a realização de um segundo turno, algo inédito na Bolívia.

Contagens paralelas

Na Bolívia, dois sistemas de contagem de votos coexistem. Na contagem computadorizada, batizado de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP), as atas – que trazem os totais de cada mesa – são fotografadas e enviadas ao órgão eleitoral por meio de uma aplicação que permite a publicação de resultados parciais.

E há ainda a “contagem oficial”, mais lenta, na qual os votos são contados individualmente. Na segunda-feira de manhã, o governo anunciou que o modo de contagem rápida seria interrompido e que o resultado válido seria o do voto a voto. No entanto, no fim do dia, a TREP voltou a ser divulgada.

Na noite desta segunda-feira, a contagem oficial indicava um empate técnico, com 42,29% dos votos para Mesa, contra 42,04% de Morales, com 89,4% dos votos contados.

O ministro das Comunicações da Bolívia, Manuel Canelas, admitiu que o órgão eleitoral errou ao não deixar claro que havia duas contagens paralelas. “Uma vez que percebeu que a contagem dos votos estava dando outro resultado, [o órgão eleitoral] resolveu interromper a das atas, para não causar confusão, e não explicou direito”, disse, citado pelo portal G1.

Na manhã desta segunda-feira, Mesa havia convocado jornalistas num hotel em La Paz e afirmou rejeitar a mudança de contagem porque esta seria uma “maneira de ganhar tempo enquanto constroem a fraude” e convocou partidários e simpatizantes às ruas, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), presentes na Bolívia nas eleições presidenciais de domingo, expressaram na segunda-feira a sua “preocupação” e “surpresa” face à inexplicável reviravolta eleitoral que praticamente dá a vitória a Evo Morales.

“A missão da OEA manifesta sua profunda inquietude e surpresa face à mudança radical e difícil de justificar, no que respeita à tendência dos resultados preliminares após o encerramento da votação”, dizia um trecho num comunicado.

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Tensão

Chile impõe novo toque de recolher; protestos continuam

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O governo do Chile decretou nesta segunda-feira (21) um novo toque de recolher em Santiago e em outras cidades do país em decorrência de mais um dia de protestos pelo aumento no preço das tarifas de metrô, apesar das autoridades locais terem cancelado a medida.

Com a decisão, esta será a terceira noite consecutiva que o toque de recolher será válido. Além de Santiago, Valparaíso, Concepción, Antofagasta Rancagua também estão inclusas na lista.

Os protestos começaram por causa de um aumento de 30 pesos (R$0,20) no preço das passagens de metrô, já suspenso pelo governo, mas também miram a desigualdade econômica e o sistema de aposentadorias do país.

Nesta segunda, o Senado do Chile aprovou, por unanimidade, o projeto de lei para congelar o aumento das tarifas. Com a lei, o presidente chileno, Sebastian Piñera, poderá anular ou limitar a medida.

Nos atos desta segunda, os militares e a polícia usaram canhões de gás lacrimogêneo e água contra manifestantes. Um estado de emergência já foi decretado em Santiago e deve ser estendido às cidades do norte e do sul do país.

Ao todo, 11 pessoas morreram e pelo menos 1500 foram detidas, sendo 650 apenas na capital do Chile, informou a governadora de Santiago, Karla Rubilar. (ANSA)

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