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Falta de especialistas nas UBSs e consequente superlotação no PS geram críticas e cobranças à secretária de Saúde

A falta de especialistas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Araçatuba e a consequente superlotação no pronto-socorro municipal voltaram a ser motivos de críticas à secretária municipal de Saúde, Carmem Guariente, durante a 16ª sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada nesta segunda-feira (20).

O assunto veio à tona durante discussão de um requerimento do vereador Arlindo Araújo (PPS) questionando o atendimento de pacientes com transtornos mentais no município, após o fechamento do Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes, em 2015.

O problema da falta de especialistas nas UBSs foi colocado pelo vereador professor Cláudio (PMN). “Como as UBSs não possuem ginecologistas, pediatras e cardiologistas, a população acaba buscando atendimento no pronto-socorro, sobrecarregando a unidade de urgência e emergência”, afirmou. “Quem acaba pagando por isso é o povo”, complementou.

Professor Claúdio: “Quem acaba pagando pela falta de especialistas isso é o povo”

O parlamentar cobrou uma solução da secretária de Saúde. “A secretária precisa fazer um estudo para ver o que vai fazer. Se nas UBSs tivessem médicos, não haveria esta superlotação e o PS estaria funcionando normalmente”, disse Cláudio, lembrando que a Prefeitura fechou o pronto atendimento do São João e o pronto-socorro do Santana.

HORÁRIO ESTENDIDO

Já o vereador Rivael Papinha (PSB) lembrou que a secretária municipal de saúde havia se comprometido a abrir as unidades básicas de saúde em horário estendido em quatro pontos diferentes da cidade, quando do anúncio da transferência do pronto-socorro municipal do bairro Santana para o Centro da Cidade, no início do ano passado.

“Este compromisso foi assumido há mais de um ano, não é novidade para esta Casa nem para a população, mas ainda não foi cumprido”, observou.

Nesta segunda-feira (20), o município anunciou o horário estendido da UBS do Umuarama, das 18h às 22h, para todos os tipos de atendimento. Antes, a unidade estava funcionando à noite somente para atender pacientes com sintomas da dengue.

Batata diz ser cobrado até hoje pelo fechamento do PA do São João

PA DO SÃO JOÃO

Entretanto, sem oferecer especialistas, a superlotação no pronto-socorro irá continuar, segundo os vereadores. “Se uma criança tem febre à noite, a mãe vai levar no PS, porque lá tem pediatra”, argumentou o vereador Gilberto Batata Mantovani (PR).

Ele também cobrou uma solução da secretária de saúde. “Até hoje sou contrário ao fechamento do PA do São João e sou cobrado por isso. A secretária da Saúde precisa tomar uma atitude e ver se as empresas terceirizadas contratam estes médicos. Se não, o problema no pronto-socorro vai continuar”, disse Batata.

Já o vereador Denilson Pichitelli (PSL) lembrou que Araçatuba vive uma epidemia de dengue que isso acaba gerando ainda mais demanda no pronto-socorro.

DESMONTE

O líder do governo na Câmara, vereador Jaime José da Silva (PTB), admitiu que o pronto-socorro enfrenta problema de superlotação e que o governo está comprometido desde o ano passado a resolver o problema. Ele alega, no entanto, que com a saída dos médicos cubanos das UBSs, no final do ano passado, houve um desmonte na estrutura.

“Os debates são proveitosos, precisamos chamar a atenção para que as coisas aconteçam”, disse, ao concordar com os colegas em relação à falta de médicos na Atenção Básica.

TRANSTORNO MENTAL

Jaime também defendeu o município em relação ao tratamento para pacientes com transtorno mental. Ele explicou que foi criada uma rede de atendimento por meio dos Caps (Centro de Atenção Psicossocial), que faz o diagnóstico e o atendimento de portadores de problemas mentais.

“A internação ocorre somente durante a ocorrência do surto. Depois, o paciente precisa ser cuidado pelos familiares, isso é uma obrigação da família prevista na Constituição”, disse.

O fechamento de hospitais psiquiátricos no País ocorreu nos últimos anos, a partir da luta antimanicomial, que considera as internações contínuas de pacientes com transtornos mentais desumanas e um retrocesso à saúde pública.

QUESTIONAMENTOS

O vereador Arlindo Araújo, autor do requerimento que motivou a discussão, disse, no entanto, que os pacientes em crise de transtornos mentais acabam se dirigindo ao pronto-socorro municipal, que pouco pode fazer por eles. “Se uma pessoa passal à meia-noite, vai para o PS”, argumentou.

Arlindo quer saber quantos médicos psiquiátricas atendem na rede municipal de saúde

Ele também cobrou da Secretaria Municipal de Saúde a criação de uma estrutura para desafogar a demanda do pronto-socorro.

Em seu requerimento, Araújo lembra que os casos de depressão cresceram 18% em todo o País. Ele quer saber do município qual a estrutura disponível no município para tratamento de pessoas com transtorno mental e quantos médicos psiquiatras atendem na rede municipal e em quais unidades.

O vereador também questiona se os centros de atenção psicossocial atendem pacientes com depressão que não sejam necessariamente usuários de álcool e droga. O documento foi aprovado pelos vereadores e o Executivo tem prazo de 15 dias para responder aos questionamentos.

OUTRO LADO

A reportagem do Regional Press questionou a Prefeitura sobre as críticas e cobranças dos vereadores à secretária municipal de saúde, mas não houve retorno até o momento.

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