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BENDITA LÍNGUA

Cuspir ou guspir? E cusparada?

Cada um fala ou escreve como quer, mas pela fala e pela escrita se mede o nível intelectual das pessoas

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Atleta cuspir em campo de futebol. Escrevi “cuspir” e não como se fala popularmente “guspir”. Cada um fala ou escreve como quer, mas pela fala e pela escrita se mede o nível intelectual das pessoas.

Às vezes, a cuspidela é assistida por milhões de telespectadores. Eu escrevi “cuspidela” e não “cusparada”, mas a mídia já consagrou a última. Embora seja falta de educação, tolera-se. O atleta de tanto correr precisa fazer aquilo.

Condenável foi o que fez o atacante palmeirense Deyverson no jogo com o Corinthians (03/02/2019), cuspiu no atleta Richard. O ato pode ser classificado juridicamente como calúnia.

Assim fizeram o deputado federal Jean Willys (PSOL) cuspindo no colega de casa Jair Bolsonaro na Câmara Federal (abril de 2016, sessão de impeachment de Dilma Roussef), sem prever que ele seria eleito presidente. Também o ator José de Abreu cuspiu num cliente de restaurante por ser insultado politicamente (abril 2016).

Formas cultas: cuspir e cuspidela

Formas populares: guspir e cusparada.

 

*Hélio Consolaro é professor de Português

 

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Resenha, resenhar

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O substantivo “resenha” e o verbo “resenhar” têm sentidos diferentes em vários segmentos profissionais.

Nos programas esportivos, usa-se a palavra no sentido de notícia (noticiar), relato (relatar), comentário (comentar).

A imagem na TV apresenta atletas numa roda de jogadores no meio do campo, com um deles falando aos demais, e o narrador, que quer demonstrar riqueza vocabular, diz que o jogador tal está resenhando o jogo para os colegas.

Como sou da área da literatura e gosto de resenhar livros lidos, a palavra (tanto verbo, como substantivo) tem outro significado, ou seja, análise crítica ou informativa de um livro. Existem normas técnicas de como montar uma resenha, tanto de livros como de filmes.

O dicionário de português Houaiss apresenta os seguintes sinônimos para resenha: descrição, enumeração, exposição, levantamento, narração, notícia, panorama, recensão, relação, relato, revista.

 

Hélio Consolaro é professor de português.

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Não existe vítima fatal

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No jornalismo, ainda persistem no emprego da expressão “vítima fatal”. Fatal significa “que leva à morte”. Quem foi fatal, então, foi o acidente; a vítima não causou a morte, não matou ninguém.

A expressão já está popularizada com a ideia de que determinada pessoa morreu, a única vítima fatal é quando um cara está limpando a janela, perde o equilíbrio e cai do décimo andar.

CORRETO: No acidente, houve uma vítima “que perdeu a vida”, ou “morreu” ou ainda “vítima mortal”.

 

Hélio Consolaro é professor de Português.

 

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Tchutchuca e Tigrão

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Zeca Dirceu e o ministro Paulo Guedes discutiram durante debate sobre a reforma da Previdência

A expressão “Tchutchuca e Tigrão”  foi recentemente usada pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR) ao se referir ao ministro Paulo Guedes num debate sobre a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados: a analogia entre a força do “tigrão” e a submissão da “tchutchuca”, usada pelo deputado, provocou um chilique do ministro.

Ela foi criada em 2001 pelos funqueiros do Bonde do Tigrão. Trata-se de palavras da linguagem classificada de chula, usada por pobres, desclassificados. Quem abominou o uso de tais palavras num parlamento tem uma visão elitista da língua, classificando seus elementos de acordo com a classe social que os usa.

Um político, seja ele de qualquer partido, para explicar suas ideias num momento de discussão fervorosa pode usar a linguagem chula, a linguagem que seu povo vai entender. Não pode abusar, mas quando necessário…

 

 

 

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