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DESRESPEITO

Cadeirante não consegue embarcar em ônibus da TUA e fica 40 minutos debaixo do sol

Veículo deveria estar adaptado para o transporte de deficientes; caso aconteceu neste sábado (9), um dia após portadores de deficiência participarem de reunião na Prefeitura para discutir a acessibilidade no transporte público

Publicado

em

Arquivo Pessoal


O cadeirante aposentado Ernesto Pereira Lemos, 43 anos, se preparava para passar um sábado agradável com amigos e familiares no restaurante da família, na Rua Cussy de Almeida, em Araçatuba.

O que ele não esperava era que, um dia após participar de uma reunião na Prefeitura sobre transporte público a portadores de deficiência, na sexta-feira (8), teria de passar, mais uma vez, pela humilhação de não conseguir embarcar em um ônibus do transporte público da cidade.

O caso aconteceu na manhã deste sábado (9). Lemos, que nasceu com distrofia muscular progressiva e mora sozinho desde que perdeu a mãe, há quatro anos, saiu de casa em sua cadeira de rodas motorizada, por volta das 10h, e foi até o ponto de ônibus, que fica a três quadras de sua residência.

Quando o ônibus chegou, o motorista foi logo avisando: “Ernesto, você não vai poder embarcar porque o elevador não está funcionando”. Indignado, telefonou para a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e pediu que entrassem em contato com a TUA, para disponibilizar um veículo acessível.

A empresa só enviou um novo ônibus 40 minutos depois. Enquanto isso, Lemos teve de ficar sob o sol quente enquanto esperava, já que o ponto não tem cobertura. Não bastasse isso, acabou chegou uma hora atrasado em seu compromisso.

RECEIO

Neste sábado, Lemos deveria pegar o ônibus no ponto próximo à sua casa, seguir até o terminal e lá pegar um outro veículo adaptado até a Cussy de Almeida, onde está localizado o restaurante de sua família e onde almoça todos os sábados.

No entanto, com receio de não ter acesso a outro ônibus adaptado, optou por parar na Avenida Mário Covas e seguir em sua cadeira motorizada até a Cussy. “Não quis passar de novo pela humilhação de não conseguir um outro ônibus adaptado”, justificou.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Lemos relata que já perdeu as contas de quantas vezes passou pelo transtorno de não conseguir embarcar por falta de estrutura nos ônibus da TUA. Isso acontece quanto precisa ir ao banco, ao médico, ao supermercado, aos encontros no restaurante da família.

 

Apesar de indicar acessibilidade aos portadores de deficiência física em sua porta, veiculo não levou cadeirante porque elevador estava quebrado

 

QUATRO QUILÔMETROS

O pior foi numa segunda-feira, quando não encontrou um ônibus adaptado para voltar para casa e teve de seguir de cadeira de rodas do ponto da Avenida Mário Covas, próximo ao Supermercado Rondon da Cobrac, até a sua residência, no Primavera. Foram quatro quilômetros percorridos debaixo do sol, sozinho e ainda correndo o risco de sofrer um acidente.

“Não quero nada além do meu direito ao transporte público. Às vezes, é o motorista que não sabe manusear o elevador e a gente não consegue embarcar. Outras vezes, o ônibus não possui a plataforma para erguer a cadeira de rodas e colocar a gente dentro do veículo. É muito humilhante ter de passar por isso”, disse, chateado.

Chateado com a situação, ele resolveu registrar o ocorrido e tornar público o que passou neste sábado. “Fiz isso para mostrar o que a gente passa. A TUA sempre fala que os ônibus adaptados atendem às pessoas com deficiência, mas isso não é verdade. Já passei por isso dezenas de vezes”, afirma, indignado.

QUEDA

Ele conta, ainda, que uma vez chegou a cair em um ônibus que mantinha a plataforma do elevador na traseira do veículo. “Como ficava em cima da roda, balançava muito e eu acabei escorregando e caindo da cadeira dentro do ônibus”, contou. “Era um veículo muito velho, sucateado mesmo”, completou.

LEI

A adaptação dos coletivos está prevista na Constituição Federal de 1988, como forma de garantir o acesso das pessoas com deficiência ao transporte público. Em 2004, o governo federal publicou um decreto determinando um prazo de 120 meses (dez anos) para que todos os municípios brasileiros providenciassem frotas 100% acessíveis.

Apesar disso, segundo o cadeirante, em Araçatuba a situação continua precária. “Os ônibus continuam sucateados e as pessoas com deficiência continuam humilhadas”, resumiu.

Na sexta-feira (8), Lemos havia participado de uma reunião na Prefeitura com a vice-prefeita Edna Flor (PPS) e o assessor executivo da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Reginaldo Frare.

Além dele, outros portadores de deficiência participaram do encontro para relatar os transtornos que enfrentam quando precisam de transporte público em Araçatuba. “Eles disseram que conversariam com a TUA para garantir nosso direito ao transporte”, disse.

NOTIFICAÇÃO

O assessor executivo da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Reginaldo Frare, orientou Lemos a registrar uma queixa no Atende Fácil, para que o município possa notificar a TUA e cobrar uma solução.

A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não obteve retorno. Para o cadeirante, a justificativa foi que a linha 1060 está em manutenção preventiva.

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