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É possível ser feliz no trabalho?

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A depressão provoca uma perda anual de US$ 246 bilhões na economia global. Entenda por que a busca pela felicidade agora faz parte da estratégia de grandes empresas e como o autoconhecimento é parte fundamental para você se encontrar na profissão.

No escritório do Google em São Paulo, um grupo de funcionários se reúne diariamente, ao meio-dia, para meditar. Eles praticam o mindfulness (atenção plena, em inglês), que busca usar técnicas de concentração e respiração para melhorar a qualidade de vida. Na cervejaria Ambev, o foco é outro. A empresa acredita na recompensa pela meritocracia. A ênfase nos resultados é um valor da companhia de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, que procura contratar profissionais ambiciosos e arrojados.

São empresas muito diferentes, mas com uma característica em comum: seus funcionários são engajados e seguem à risca suas culturas corporativas. Por isso, tanto Daniel Borges, diretor de recrutamento e seleção do Google, como Fábio Kapitanovas, vice-presidente de gestão e pessoas da Ambev, garantem que é possível ser feliz em ambas as corporações.

Apesar de o tema ainda ser controverso, as empresas têm se preocupado cada vez mais com seu papel na saúde mental dos empregados. Isso significa que a busca pela felicidade está deixando de ser uma atividade restrita ao tempo livre das pessoas. Até universidades, como a Yale, criaram cursos sobre o tema. O “Psicologia e boa vida”, lançado no início deste ano, esperava reunir uma centena de alunos. Após ultrapassar a marca de mil inscrições, a universidade disponibilizou seu maior auditório para as aulas. “Não há como ser eficiente com funcionários infelizes”, afirma Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half no Brasil, uma das maiores empresas de recrutamento do mundo. “É preciso mudar a forma como encaramos essa questão.”

Filipe Fornari

Há um motivo econômico que leva a felicidade a entrar na pauta das empresas. Um estudo realizado, em 2016, pela London School of Economics (LSE), um dos mais prestigiados centros de estudos da Inglaterra, aponta que a depressão, doença que ganhou o título de “o mal do século 21”, é responsável por uma perda de US$ 246 bilhões na economia mundial, em decorrência do absenteísmo e da redução da produtividade. Dos oito países pesquisados pela LSE, o Brasil é o segundo mais afetado, com um prejuízo de US$ 63,3 bilhões, atrás apenas dos Estados Unidos (leia quadro na pág. 42). No ano da pesquisa, a Previdência Social brasileira registrou o afastamento de 75 mil trabalhadores por depressão. Outro fator relevante é o aumento de 17% nos casos de ansiedade, entre 2012 e 2016, no Brasil. É preciso levar em consideração que a pior recessão da história do País contribuiu para amplificar o problema. “A crise econômica também dificulta o avanço do tema nas empresas”, diz Mantovani.

A culpa pela depressão corporativa sempre recaiu sobre o funcionário. Era ele quem deveria ser forte o suficiente para aguentar a pressão e ter resiliência. Mas isso pode ser perigoso quando extrapolado. No Japão, a jornalista Miwa Sado, repórter da maior emissora de TV pública japonesa, a NHK, morreu por insuficiência cardíaca após trabalhar 159 horas extras em um mês. O episódio aconteceu em 2013, mas só foi divulgado em outubro do ano passado. O caso reabriu as discussões sobre o equilíbrio entre vida e trabalho no Japão, que registrou, em 2016, mais de dois mil suicídios relacionados ao estresse corporativo. O trabalhador tem, de fato, uma responsabilidade por sua saúde mental. Mas é inegável que o ambiente de trabalho colabora ativamente para agravar quadros depressivos. E o pior: são os funcionários mais engajados que sofrem mais, de acordo com Silvia Jardim, médica psiquiatra e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso se deve ao fato de o bom empregado se importar mais com o resultado do trabalho. Quanto maior é a vontade de produzir, maior é o desencanto, o que leva ao esgotamento. “É uma contradição do nosso modelo de produção”, diz Silvia. Para mudar essa realidade, é preciso repensar o próprio sentido do trabalho. O emprego tem um significado que transcende as relações entre empregado e empregador. O homem corporativo não é feliz em si mesmo. Ele precisa de status, posição e título. Daí a frustração quando as coisas não dão certo. “O que a pessoa faz é parte importante do que ela é”, diz a professora da UFRJ.

A felicidade ainda é um tema controverso para o universo do trabalho, especialmente quando envolve doenças psiquiátricas, como a depressão e a bipolaridade. Alguns tabus em relação ao papel das empresas na saúde mental dos seus empregados precisam ser quebrados. A executiva Dyene Galantini, diretora adjunta de marketing da IHS Markit, multinacional britânica que atua no setor de informação e inteligência, foi diagnosticada, há 10 anos, com transtorno bipolar, doença grave que se caracteriza pelas alterações extremas de humor. Ela escreveu o livro “Vencendo a Mente – Como uma executiva de sucesso superou o transtorno bipolar” para derrubar as barreiras sobre a doença. “A maior dificuldade é o estigma e o preconceito”, afirma Dyene. Um problema semelhante afetou a vida da empresária Fátima Macedo, que criou uma consultoria especializada em saúde emocional. Sua irmã foi diagnosticada com um transtorno mental grave e foi demitida. Com a Mental Clean, criada em 2004, Fátima trabalhou em empresas do porte de Alcoa, Unilever, Furnas, John Deere e Aché para ajudá-las a melhorar o ambiente.

O estresse relacionado ao trabalho se tornou uma das principais causas de afastamento de funcionários, no Brasil e no mundo. Uma pesquisa conduzida pela International Stress Management Association, organização britânica dedicada ao tema, aponta que 90% dos trabalhadores brasileiros apresentam algum nível de ansiedade, sintoma que é um dos precursores do burnout, síndrome que se caracteriza pela exaustão emocional, despersonalização, redução da realização pessoal e está diretamente relacionada à organização do trabalho. O termo, que se traduz em esgotamento, ganhou força na última década.

As agruras de viver essa realidade é algo que Laís Trajano, sobrinha da empresária Luiza Helena Trajano, controladora do Magazine Luiza, conhece muito bem. Ela trabalhava em uma das maiores empresas brasileiras (cujo nome prefere manter em sigilo) quando sofreu um esgotamento. “Eu não conseguia agir, era como se nada fizesse sentido”, afirma Laís. Até então, ela era uma funcionária arrojada, pró-ativa, interessada e intraempreendedora, com objetivos pessoais e profissionais alinhados à estratégia do negócio. Cresceu rápido na carreira, chegando logo a cargos de gerência. Para quem olha de fora, poderia parecer uma vida perfeita. Mas, para ela, alguma coisa estava fora do lugar. “Eu descobri que precisava de um propósito”, diz a executiva, que decidiu largar o emprego para “se encontrar”. Não foi uma decisão fácil. Afinal, o trabalho representa uma grande parte da personalidade das pessoas.

Laís conta que, para sair da situação de esgotamento, teve de recorrer a uma série de ferramentas, desde consultas com psicólogos até meditação. Foi uma busca interna por sentido e autoconhecimento, que a ajudou a afastar a inércia e a paralisação decorrentes do burnout. Uma viagem pelo mundo, com uma importante passagem pela Índia, foi fundamental nesse processo. Quando voltou ao Brasil, ela não só se reencontrou emocionalmente como achou um emprego ideal na Avante, empresa social, criada pelo ex-sócio da XP Investimentos Bernardo Bonjean, especializada na concessão de crédito em regiões de baixo poder aquisitivo.


A companhia já oferecia algo que Laís procurava: um propósito – no caso, o de melhorar a vida das pessoas por meio do poder financeiro. Mas havia o algo a mais. Contratada para dirigir a área de recursos humanos, ela conseguiu implementar um programa de felicidade no trabalho que, inclusive, conta com uma pessoa focada exclusivamente no tema. Trata-se da indiana Rajshree Patel, uma especialista em construir ambientes de trabalho felizes, que foi nomeada como Chief Love Officer, uma espécie de diretora-executiva do amor. Segundo Bonjean, o mundo corporativo está gerando milhões de pessoas infelizes e era necessário fazer algo. “Recursos humanos são apenas recursos. Pessoas são fontes de energia”, afirma o CEO da Avante.

Considerada uma das mais pessoas mais influentes no campo do desenvolvimento pessoal, Raj, como é conhecida, assumiu a liderança do projeto de felicidade da Avante. A indiana já ministrou palestras em 35 países e trabalhou com companhias como Shell, Morgan Stanley, a Universidade Harvard e entidades como a ONU e o Pentágono, o comando militar dos Estados Unidos. O primeiro passo para a felicidade, diz ela, é fazer as pessoas se conhecerem. O autoconhecimento, através da meditação ou outros métodos, como terapia, é o ponto de partida. Na Avante, os funcionários são incentivados a buscarem esse tipo de exercício e, caso queiram, recebem orientações de como fazer.

O ponto mais delicado, no entanto, está na liderança. Encontrar um estilo equilibrado de comando é a peça-chave para uma empresa feliz. O trabalho de Raj consiste em, primeiro, convencer os líderes a encontrarem esse autoconhecimento. Depois, eles devem estabelecer uma dinâmica que respeite a individualidade dos comandados. Para ela, há uma diferença entre inteligência e consciência. No primeiro caso, trata-se de uma habilidade de análise daquilo que faz parte do seu dia a dia. No segundo, o que conta é a capacidade de compreender o que está fora da sua realidade. “Um executivo que gera riqueza, mas gasta metade de sua saúde, pode ser inteligente, mas não é consciente”, diz Raj.

ENGAJAMENTO Uma pesquisa feita pela Robert Half aponta que ter orgulho da organização em que trabalha e ser tratado com igualdade e respeito são os principais geradores de felicidade no trabalho (confira quadro “Em busca da felicidade
“). O estudo avaliou os níveis de bem-estar de 23 mil profissionais, em oito países. A conclusão é que a felicidade é resultado da combinação entre a pessoa certa, na empresa certa, fazendo um trabalho interessante e significativo. “Isso só é possível quando a empresa é transparente”, diz Alexandre Teixeira, jornalista e escritor, autor do livro Felicidade S.A., resultado de uma extensa pesquisa sobre o assunto. Ele afirma que, em seus estudos, encontrou três empresas que, de fato, trabalham de forma eficiente a questão da felicidade: o Google, por sua capacidade de contratar e formar funcionários engajados; a Kimberly-Clark, que, no Brasil, conseguiu transformar um ambiente tóxico, resultado da fusão de duas empresas com culturas diferentes, em um lugar harmonioso (procurada, a empresa não deu entrevista); e a Ambev.

Encontrar a fórmula da felicidade é uma missão praticamente impossível. Mas existe um caminho para se chegar ao equilíbrio no escritório, e ele passa pelo autoconhecimento. O engenheiro Ricardo Oliveira, do Google, é um dos praticantes da meditação ao meio-dia. A atividade tem apoio da empresa, que permite a realização das sessões durante o expediente, em uma das salas de reunião. “Na correria do dia a dia, isso ajuda a manter o equilíbrio”, afirma Oliveira, que é conhecido como RSO entre os colegas. O Google é seu segundo emprego. Desde que passou a trabalhar para o gigante da tecnologia, Oliveira conta que sua vida e sua personalidade mudaram bastante. “Hoje, eu sou mais feliz”, afirma o engenheiro. Ele demonstra ser identificado com os valores e o propósito da empresa, pontos que contam muito para o sentimento de realização.

Mas isso não acontece naturalmente. Sua felicidade, apesar de ser fruto do esforço pessoal, foi orquestrada pela companhia a partir do primeiro contato. A estratégia, em curso desde a fundação do Google por Larry Page e Sergey Brin, envolve uma máquina corporativa eficiente, cujo objetivo é a contratação e a formação de “googlers”, como gostam de se referir, a si próprios, os funcionários da companhia. Esse rito começa a funcionar no momento da seleção dos candidatos. Segundo Daniel Borges, diretor de recrutamento e seleção da companhia, todas as contratações passam por uma comissão formada por diretores, nos Estados Unidos. O objetivo é garantir que o contratado tenha o perfil adequado para o Google e não apenas a capacidade técnica de realizar o trabalho. Com isso, a empresa garante uma unidade de pensamento. Pode não parecer, mas ter um padrão de comportamento bem definido na empresa é um dos principais motivadores da felicidade.

Mas o que explica o fato de algumas pessoas serem felizes em ambientes considerados pouco saudáveis pelo senso comum, como a Ambev? Apesar da cultura agressiva pela qual a companhia é conhecida, a cervejaria é um caso clássico de empresa com transparência. Quem se identifica com seu estilo pode ser muito feliz lá dentro. Caso contrário, é melhor nem tentar. “Nós acreditamos na meritocracia”, afirma Fábio Kapitanovas, vice-presidente de gente e gestão da companhia. “Isso significa dar autonomia para que a pessoa atinja seus objetivos.” A pressão por resultados é enorme na Ambev, um reflexo da postura de seu principal líder, Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, dono de uma fortuna estimada em R$ 110 bilhões, um devoto da meritocracia e do controle de custos. Mas esse é o jeito que a empresa atua e, segundo Kapitanovas, seus funcionários concordam. “Claro que há problemas e ajustes são necessários”, diz o executivo. “Mas acreditamos nos nossos valores e no nosso propósito.”

Apesar de toda propaganda sobre a felicidade, nem tudo são flores na vida das duas empresas. Em janeiro deste ano, o engenheiro de software Steve Yegge se demitiu do Google após 13 anos de uma bem-sucedida carreira, na qual ganhou notoriedade ao criar o Grok, um serviço voltado para desenvolvedores. Yegge saiu atirando na cultura corporativa. Ele chamou a empresa de arrogante, conservadora e cheia de politicagens, como qualquer outra grande companhia. “O Google não é mais um lugar inspirador para trabalhar”, escreveu o engenheiro, em seu blog. O Google não comentou as afirmações. Já a Ambev, no final da década passada, enfrentou uma série de processos por assédio moral.

Em um deles, um ex-funcionário, evangélico, processou a empresa por ter sido obrigado a ficar numa sala com uma prostituta. Supostamente, seria um “bônus” pelo seu bom desempenho. A Ambev afirma que são processos antigos e que já foram resolvidos. A má notícia para o trabalhador brasileiro é que o mais recente Relatório Mundial da Felicidade, publicado pela ONU, mostra que o País está mais triste. O Brasil caiu seis posições, em 2018, em relação ao ano anterior, ficando na 28ª colocação entre 156 países – o ranking é liderando pela Finlândia. O estudo aponta alguns motivos para a queda, como o fato de que 36% dos brasileiros considerarem que seus rendimentos são insuficientes para cobrir todas as necessidades. A percepção de corrupção generalizada, a violência e a crise econômica também são apontadas como fatores para a deterioração do sentimento de contentamento da população.

No aspecto mais triste dessa situação, o Brasil enfrenta um crescimento no número de suicídios. Entre 2011 e 2015, os casos aumentaram em quase 12%, chegando a 11,7 mil em 2015, de acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados no fim do ano passado. Essa já é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, justamente quando estão entrando no mercado de trabalho. Proporcionalmente, no entanto, os idosos são os mais atingidos, em virtude do abandono e do sentimento de inutilidade social a que muitos são relegados. O primeiro passo para a felicidade é o autoconhecimento, de si e da cultura empresarial em que está inserido. O segundo é alinhar as expectativas, os valores e reconhecer os esforços individuais. Ainda não inventaram a fórmula da felicidade, é verdade. Mas há um caminho.

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istoe.com.br
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Mecânico transforma Uno 2002 em ‘Lamborghini’: ‘Sonho realizado’

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'LamborgUno' (Foto: Arquivo Pessoal)

Um morador transformou o carro dele, um Uno 2002, em uma “Lamborghini” e virou atração na cidade de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Apaixonado por carros esportivos desde criança, Edimar Souza Goulart, de 28 anos, trabalha como mecânico e pintor.

Ao G1, ele contou que sempre teve o sonho de comprar um carro esportivo, no entanto, não tinha dinheiro para adquirir o modelo que desejava.

A transformação do Uno durou quase um ano e ainda está em fase de finalização. Ele afirma que fez o trabalho sozinho, mas ainda não dirige o “LamborgUno” pela cidade, apenas no Bairro Cidade de Deus 1, onde vive.

Edimar Goulart construiu um ‘LamborgUno’ (Foto: Arquivo Pessoal)

A adaptação foi feita utilizando materiais simples, como isopor e massa acrílica. Ele explicou que o Uno foi comprado em 2016 por R$ 9 mil e que já investiu R$ 3 mil para a reforma sonhada.

Filipe Fornari

Uma “Lamborghini” original, modelo Aventador – tipo do carro que o morador se inspirou – tem o custo aproximado de R$ 3 milhões no Brasil e acelera de 0 a 100 km em 2,9 segundos, chegando à velocidade máxima de 350 km/h.

O carro de Edimar é um pouco mais modesto: o Uno 2002 acelera de a 0 a 100 km/h em 15,2 segundos e chega a velocidade máxima: 151 km/h. Atualmente o veículo está avaliado em R$ 10,5 mil.

Por enquanto, ele ainda não alterou o motor do sonhado carro.

No início de 2017, Edimar começou a desenhar as peças que precisava para modificar e dar vida ao “LamborgUno”. O carro adaptado foi construído com isopor, chapas de alumínio, além de cantoneiras e massa acrílica.

O interior do veículo modificado ainda pertence ao Uno original, no entanto, as rodas e o volante do carro foram trocados por peças esportivas. Foi o primeiro carro que ele ‘construiu’.

Edimar disse que o carro ainda deve ser coberto com fibra de vidro nos próximos quatro meses para que fique resistente à poeira e água e para que possa dirigir pela cidade.

Segundo ele, o veículo é famoso na região onde mora e os vizinhos sempre pedem para tirar fotos com o carro.

Uno antes de ser transformado em ‘LamborgUno’ (Foto: Arquivo Pessoal)

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Tecnologia

MP investiga como YouTube trata dados de crianças brasileiras

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O YouTube se tornou alvo de investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Inicialmente, o órgão busca investigar e entender como a plataforma trata os dados de crianças brasileiras que usam o site ou aplicativo móvel do YouTube.

O inquérito civil público é conduzido pela Comissão de Proteção dos Dados Pessoais e se baseia no Código de Defesa do Consumidor, que proíbe que companhias se aproveitem da ignorância ou fraquezas de consumidores decorrentes da idade.

Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) instaurou investigação semelhante. Em abril deste ano, associações americanas, 23 no total, que defendem os direitos digitais e de proteção da infância, alegavam que o YouTube coletava dados pessoais de crianças e os utilizava com fins publicitários.

Segundo o MPDFT, conteúdos rotulados como “para crianças” na plataforma (a partir de uma busca em seu sistema interno) totalizam 16,7 milhões de vídeos. Contudo, os termos de serviço da plataforma afirmam que ela é voltada para pessoas com 18 anos ou mais.

Filipe Fornari

“Em qualquer circunstância, Você afirma ter mais de 18 anos, visto que o website do YouTube não é projetado para jovens menores de 18 anos. Se Você tiver menos de 18 anos, não deverá utilizar o website do YouTube. Você deverá conversar com seus pais sobre quais sites são apropriados para ele”, diz o texto dos termos de serviço do Youtube.

O promotor responsável, Frederico Meinberg, explica que o inquérito não visa averiguar os conteúdos, se adequação para crianças ou entrar em qualquer medida de retirada, mas avaliar como, a partir desse grande volume de vídeos disponíveis, a empresa coleta e usa dados de meninos e meninas para direcionar publicidade.

Na opinião de Meinberg, a possibilidade de coleta de informações e a consequente segmentação de anúncios se aproveitando das vulnerabilidades de crianças sem a supervisão dos pais ou responsáveis traz uma série de discussões.

Na avaliação do coordenador do programa Prioridade Absoluta do Instituto Alana, Pedro Hartung, a ação é importante, pois já há diversos mecanismos na legislação brasileira que limitam ou proíbem a coleta e o tratamento de dados de crianças da forma como o YouTube faz, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Marco Civil, o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil.

Além destes, a recém-aprovada Lei de Proteção de Dados, que deve ser sancionada nas próximas semanas, estabelece que a coleta de dados de crianças com até 12 anos só pode ser feita com consentimento de pelo menos um dos pais ou responsáveis e que o tratamento deve levar em conta o melhor interesse desse menino ou menina.

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Tecnologia

Microsoft quer sua ajuda para encontrar bugs e pagará até US$ 100 mil por isso

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A Microsoft anunciou o lançamento de um programa de recompensas de bugs especificamente voltado para serviços de identidade. Os pagamentos de recompensas variam de US$ 500 a US$ 100 mil.

O programa Identity Bounty premiará os pesquisadores por encontrarem falhas qualificadas não apenas em suas soluções de identidade, mas também em vulnerabilidades de segurança em “implementações certificadas de padrões selecionados do OpenID”.

Phillip Misner, gerente principal do grupo de segurança da Microsoft, anunciou o novo programa no blog do Microsoft Security Response Center (MSRC). “A segurança moderna depende da comunicação colaborativa de identidades e dados de identidade entre domínios. A identidade digital de um cliente é geralmente a chave para acessar serviços e interagir pela Internet.

A Microsoft investiu pesado na segurança e privacidade de nossas soluções de identidade de consumidor e corporativa. Investimos fortemente na criação, implementação e aprimoramento de especificações relacionadas à identidade que promovem autenticação forte, assinatura segura, sessões, segurança da API e outras tarefas críticas de infraestrutura. Em reconhecimento a esse forte compromisso com a segurança de nossos clientes, estamos lançando o Microsoft Identity Bounty Program”, disse.

Filipe Fornari

Para que a descoberta de vulnerabilidade seja elegível para um pagamento, são necessários alguns critérios:

– Identificar uma vulnerabilidade crítica ou importante, original e anteriormente não relatada, que se reproduza em serviços do Microsoft Identity listados no escopo.

– Identificar uma vulnerabilidade original e não relatada anteriormente que resulte no roubo de uma Conta da Microsoft ou uma conta do Azure Active Directory.

– Identificar uma vulnerabilidade original e não declarada anteriormente nos padrões OpenID listados ou com o protocolo implementado nos produtos, serviços ou bibliotecas certificados.

– Os envios podem ser feitos contra qualquer versão do aplicativo Microsoft Authenticator, mas prêmios de recompensa só serão pagos se o bug acontecer na última versão disponível publicamente.

– Incluir uma descrição do problema e etapas de reprodutibilidade que sejam facilmente entendidas, para que os documentos sejam processados ​​o mais rápido possível e o pagamento seja justo de acordo o tipo de vulnerabilidade relatado.

– Incluir o impacto da vulnerabilidade.

– Incluir um vetor de ataque se não for óbvio.

O escopo dos bugs que afetam os serviços de identidade da Microsoft devem ser listados de acordo com o que eles impactam:

– windows.net
– microsoftonline.com
– live.com
– windowsazure.com
– activedirectory.windowsazure.com
– office.com
– microsoftonline.com
– Microsoft Authenticator (aplicativos iOS e Android) – Para aplicativos móveis, a pesquisa deve ser reproduzida na versão mais recente do aplicativo e no sistema operacional móvel

Para bugs de ID em produtos que não são da Microsoft, o escopo é:

– OpenID Foundation – The OpenID Connect Family

– OpenID Connect Core

– OpenID Connect Discovery

– OpenID Connect Session

– OAuth 2.0 Multiple Response Types

– OAuth 2.0 Form Post Response Types

– Produtos e serviços da Microsoft com implementações certificadas sob certificação OpenID

Pagamento

Existem oito tipos de erros que podem ser reportados, sendo os de alta qualidade os que valem mais.

“Um relatório de alta qualidade fornece as informações necessárias para que um engenheiro possa reproduzir, entender e corrigir rapidamente o problema. Isso normalmente inclui uma redação concisa contendo todas as informações necessárias, uma descrição do bug e uma prova de conceito. Reconhecemos que algumas questões são extremamente difíceis de reproduzir e entender, e isso será considerado ao julgar a qualidade de uma apresentação ”, explicou a empresa.

Um relatório de bug de alta qualidade pode resultar em até US$ 100 mil, um envio de qualidade de linha de base pode chegar a US$ 50 mil e um envio incompleto é listado a partir de US $ 1 mil.

As vulnerabilidades de design padrão têm o seu teto em US$ 100 mil para envios de alta qualidade, até US$ 30 mil para qualidade de linha de base e de US$ 2,5 mil para envios incompletos.

Em seguida, as vulnerabilidades de implementação baseadas em padrões podem pagar até US$ 75 mil, US$ 25 mil para qualidade de referência e US$ 2,5 mil para relatórios incompletos.

Os outros cinco tipos de erros que podem ser reportados (em ordem de como uma vulnerabilidade de alta qualidade seria paga) são: bypass significativo de autenticação, falsificação de solicitação entre sites (CSRF), cross-site scripting (XSS), falha de autorização e sensível exposição de dados.

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Ciência

Maior avião de carga do mundo faz voo de teste

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O Beluga XL pesa 125 toneladas e foi projetado para transportar componentes superdimencioados de aviões de diferentes locais de produção da Airbus até um hangar de montagem.

A estimativa é que o Beluga XL entre em operação em 2019.

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