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Quem é o dono da Havan e por que ele quer entrar na política

Empresário catarinense Luciano Hang pretende disputar a eleição para consertar “a bagunça que virou esse país”. E ele já tem uma “solução” para o Brasil, que pode ser sintetizada pelas estátuas que são marca registrada de suas lojas: liberdade, mais liberdade

O dono da Havan e Bolsonaro, aliás, compartilham algumas semelhanças no discurso sem papas na língua, contra “a bagunça que está por aí” e avesso ao politicamente correto. Por exemplo: ambos defenderam o general Antonio Hamilton Mourão, que em setembro pregou que os militares deveriam intervir no país se a Justiça não resolver o problema da corrupção. Mais ou menos como se o Exército invadisse o campo para tirar o juiz que está roubando o jogo.

“Eu apoio o general Mourão. (…) Estamos cansados – a população, nós empresários – da bagunça que virou esse país. (…) Parabéns, general Mourão! A população está do seu lado; continue assim. Chega desse negócio do politicamente correto, de falar o que só alguns querem falar”, disse Hang num vídeo divulgado na internet.

No jogo eleitoral, a camisa que Hang vai vestir é a do antipolítico

Se efetivamente entrar em campo nas eleições, Hang vai vestir uma camisa que anda em alta no mercado: a do antipolítico. No discurso, ele já é assim. O que atrapalha o crescimento do país? “A burocracia e o grande número de políticos”, disse em entrevista ao programa do Ratinho, do SBT, em dezembro de 2016.

“Ninguém mais quer saber do político que rouba mas faz, do bonzinho incompetente ou daquele que fica em cima do muro. Precisamos de políticos que não dependam daquele cargo. A maioria dos maus políticos só fez política a vida toda. Se perderem o cargo, não sabem fazer nada. Precisamos mudar esse cenário”, disse no último dia 5.

E quem sabe fazer? A resposta de Hang: “Este [2018] é o ano do fato novo, é o ano do empreendedor, do empresário, o ano de as pessoas votarem em quem tem disciplina, sabe administrar e quer fazer”.

De operário que andava com sapato furado a dono de rede de lojas

Ninguém pode acusar Hang de não saber fazer. Dinheiro, pelo menos. Ele encarna o self made man. Filho de dois operários de uma indústria têxtil de Brusque, ele seguiu os passos dos pais e, aos 17 anos, começou a trabalhar no chão da mesma fábrica. Em sua biografia divulgada no site da Havan, Hang relata que uma de suas recordações daquele tempo era ir trabalhar com um sapato furado, que ele forrava com papelão para não pisar no chão frio. Não tinha condições de comprar um novo par de calçado.

Mas sua situação logo mudou. Com tino para os negócios, comprou aos 21 anos uma pequena tecelagem. Aos 24, em 1986, deu aquele que seria um pequeno passo mas um grande salto: abriu uma acanhada loja de tecidos juntamente com um sócio, Vanderlei de Limas. Da junção das primeiras letras do sobrenome de Hang com as do nome do sócio surgiu a denominação da nova empresa: Havan.

Vanderlei vendeu para o sócio sua participação na Havan no início dos anos 90 e montou outra loja de tecidos. Ele queria manter os pés no chão. Hang tinha planos mais ousados: importar não só materiais têxteis, mas também produtos para vender por R$ 1,99.

É dessa época que a Havan ganharia o visual pela qual viria a ficar conhecida. Por causa da admiração de Hang pelo espírito empreendedor dos norte-americanos: “Me perguntam: ‘Por que você gosta tanto dos Estados Unidos?’ Porque é um país que deixa você fazer”, explicou certa vez. Hang então passou a adotar nos prédios de sua loja uma fachada inspirada nas colunas neoclássicas da Casa Branca.

Logo depois, vieram as réplicas da Estátua da Liberdade – uma polêmica estética: cafonas para muitos, atrativo turístico para outros . Foram sugeridas por um garoto. Hang gostou da ideia e a adotou como marca definitiva da loja. “É o símbolo da liberdade, liberdade de compra, de escolher o produto que o consumidor quer”, justificou Hang numa entrevista de 2016.

E elas tinham de ser grandes, como os sonhos de expansão de Hang. Aliás, a maior estátua do Brasil, com 57 metros de altura, é um dos colossos da Havan: fica na megaloja de Barra Velha, , em Santa Catarina.

À sombra das gigantescas estátuas, a Havan cresceu. E cresceu. E cresceu. E também se tornou uma gigante, com 107 lojas em 15 estados.

A meta para 2018 é chegar a 120 lojas. E Hang sonha ainda mais alto: quer 200 unidades até 2022.

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