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Cuidar da água para não faltar alimento – Por Arnaldo Jardim

Programa Nascentes do Governo do Estado está sendo desenvolvido nas bacias hidrográficas do Alto Tietê, Paraíba do Sul e Piracicaba-Capivari-Jundiaí, regiões que concentram mais de 30 milhões de habitantes

Para comemorar o Dia Mundial da Água, quarta-feira, 22 de março, acompanho na cidade de Holambra a execução das obras do programa Nascentes, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Um encontro para falar da importância da água, para nos lembrar que ela é fundamental para a nossa vida, que sem ela não há alimento, não há vida.

Em Holambra o Programa Nascentes já é realidade com sua visão integrada, recuperando estradas rurais e áreas degradadas, implantando fossas biodigestoras e realizando o terraceamento, além do plantio de mudas nativas em centenas de propriedades. Já foram plantadas até agora 10.921 mudas em 6,4 hectares para recuperar 171 nascentes e 12 hectares de vegetação nativa.

O Programa Nascentes do Governo do Estado está sendo desenvolvido nas bacias hidrográficas do Alto Tietê, Paraíba do Sul e Piracicaba-Capivari-Jundiaí, regiões que concentram mais de 30 milhões de habitantes. O objetivo final é promover a restauração de 20 mil hectares de matas ciliares e proteger 6 mil quilômetros de cursos d’água.

Em Botucatu, o Programa Nascentes recuperará, até o final de 2017, uma área equivalente a quase 86 estádios do Maracanã, onde haverá cercamento e manutenção para consolidação da vegetação, com o objetivo de preservar as áreas de contribuição dos mananciais de água no município, recuperação de estradas rurais, terraceamento agrícola e instalação de fossas biodigestoras.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza evento para avaliar os reflexos e impactos das mudanças climáticas sobre a economia brasileira e os setores produtivos. O destaque é discutir os eventos climáticos extremos e a segurança hídrica para atendimentos dos múltiplos usos dos recursos hídricos – como o abastecimento público, a geração de energia e a produção de alimentos e industrial.

A maior parte da água doce disponível no planeta é utilizada na agricultura — cerca de 70%. Já as empresas utilizam 20% da reserva do planeta. Os 10% restantes são de uso da população mundial para realizar tarefas diárias, como higiene pessoal, limpeza e para consumo próprio.

Por isso é extremamente importante preservar, e a tecnologia é essencial para essa preservação. Por meio de desenvolvimento genético, pesquisadores conseguem produzir variedades mais resistentes à seca em importantes culturas como a soja e o café, com testes em milho, trigo, cana-de-açúcar, arroz e algodão.

Ou ainda no desenvolvimento de técnicas de irrigação por gotejamento, onde há economia de até 50% de água para irrigar a lavoura. Sem esquecermos ainda da microaspersão – a instalação de pequenos aspersores responsáveis pela distribuição da água. Nesse caso, como eles encontram-se mais próximos do solo do que o normal utilizado na agricultura, a perda pela evaporação é menor.

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que as áreas irrigadas, nos países em desenvolvimento, devem aumentar dos atuais 202 para 242 milhões de hectares. Só na África, o potencial é de 40 milhões de hectares, dos quais apenas 12 estão sendo aproveitados.

Nos países desenvolvidos, o total irrigado fica em torno dos 50 milhões de hectares, mas o potencial de expansão é menor, porque a agricultura já é intensificada. Por isso, a escolha da tecnologia mais adequada e, sobretudo, a promoção de métodos de irrigação que evitam o desperdício é fundamental para atender à demanda por alimentos, com o mínimo de impactos ambientais, como a degradação dos solos, dos aquíferos ou os processos de salinização.

Na Secretaria, orientados pelo governador Geraldo Alckmin, desenvolvemos o Programa Nascentes e outras iniciativas que provam ser totalmente possível unir cuidado com o meio ambiente e aumento de produtividade. São ações para auxiliar o homem do campo a preservar um bem sem preço como a água.

No Programa de Modernização da Irrigação do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), o produtor pode buscar o financiamento de até R$ 250 mil, com o prazo de pagamento de até 84 meses – e carência de até 24 meses – com taxa de juros de 5,5% ao ano para o pequeno produtor e 7,5% ao ano para os médios e grandes produtores.

Cuidar bem da água é também evitar o assoreamento e a erosão, e isso tem ganhado cada vez mais nossa atenção. Em 2016, nossa Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) plantou 61 mil mudas: 54 mil no reservatório de Paraitinga, em Salesópolis, distribuídas em um raio de 30 metros na área de preservação permanente (APP). Outras 7 mil mudas em Holambra por meio de parceria entre a Secretaria de Agricultura e a Fundação Banco do Brasil.

Pelo Programa Melhor Caminho/Pontos Críticos, readequamos no ano passado 270 quilômetros de estradas rurais em 29 municípios. Obras que, além de tornar o tráfego melhor, também cuidam dos recursos hídricos ao estudar a topografia do local. A água não corre pela estrada rumo ao rio para causar assoreamento, ela fica armazenada em bolsões e garante riqueza ao solo.

Não há uma única solução para manter a segurança alimentar quando a água é escassa. Todas as fontes de água – chuva, canais de irrigação, águas subterrâneas e águas servidas – são importantes.

*Arnaldo Jardim é deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretario de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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