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Após ataque a carro-forte, sindicato cobra armas mais potentes

O Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Carro-Forte de São Paulo (Sindforte) cobrou nesta quarta-feira (15) mudanças na legislação que permitam aos vigilantes das empresas de transportes de valores usarem armamento mais potente, capaz de combater as quadrilhas em ataques como o que ocorreu em Barrinha (SP) há dois dias.

O assalto ao veículo da Protege na Rodovia Carlos Tonani (SP-333), na noite de segunda-feira (13), é o quarto registrado na região de Ribeirão Preto (SP) em dois anos. Um vigilante e um policial militar morreram nessas ações, e outros quatro seguranças ficaram feridos.

“Do ponto de vista da legislação, pouco evoluiu nos últimos dois anos. Não há autorização por parte da Polícia Federal na melhoria da qualidade de armas para que os vigilantes possam, pelo menos, se defenderem”, diz o advogado do SindForte, Eduardo Augusto de Oliveira.

Quadrilha usou dinamite para explodir o cofre do carro-forte (Foto: Luciano Tolentino/EPTV)

Ainda segundo Oliveira, as empresas também precisam implantar medidas que garantam a segurança dos funcionários e inviabilizem os assaltos, como a redução dos valores transportados em cada veículo e o estudo prévio dos itinerários dos carros-fortes.

O advogado explica que, atualmente, as empresas dependem de autorização da Polícia Federal para aquisição de armas e implantação de sistemas de segurança, e destaca que, apesar de os vigilantes passarem por treinamento, não têm condições de reagir aos ataques.

“O entendimento do Sindicato é de que as empresas tenham autonomia, uma vez que elas possuem soluções de tecnologia e têm condições de investimento para que isso aconteça. Elas precisam ter as autorizações e precisa haver modificação na legislação”, afirma.

Essa não é a primeira vez que o SindForte cobra mudanças na legislação. Em abril do ano passado, após a explosão de um carro-forte na Rodovia Anhanguera (SP-330), Oliveira criticou o acesso de armamento exclusivo das Forças Armadas por parte das quadrilhas.

“O sindicato continua mobilizado, exigindo das autoridades públicas a melhoria nas condições de trabalho, nas condições dos veículos, como renovação de frota, blindagem, e nas condições de armamento”, conclui.

Ataque em Barrinha
Segundo a Polícia Civil, o roubo ao carro-forte da Protege aconteceu por volta de 19h de segunda-feira, próximo ao quilômetro 100 da Rodovia Carlos Tonani. O veículo havia sido carregado com dinheiro em Jaboticabal e cidades próximas, e seguia para Ribeirão Preto.

Em um Honda CR-V, os suspeitos ultrapassaram o carro-forte e passaram a atirar contra ele com a intenção de atingir o motor. A viatura deixou então a pista e parou no canteiro central. Os assaltantes ordenaram que os vigilantes desocupassem o carro.

Em depoimento, os seguranças da Protege disseram ter visto um dos ladrões com arma longa, encapuzado e com colete à prova de balas. Os suspeitos mandaram os funcionários deixarem suas armas na rodovia e fugirem.

Viatura da PM foi atingida por 26 disparos após ataque a carro-forte (Foto: Reprodução / EPTV)

As vítimas seguiram a pé por um canavial em direção a Barrinha, mas continuaram ouvindo disparos. Os vigilantes também avistaram dois veículos – que não conseguiram identificar o modelo – se aproximando do local do crime, segundo o boletim de ocorrência.

Ainda de acordo com a polícia, a quadrilha usou dinamite para explodir o cofre do carro-forte. Parte do dinheiro foi levada e o restante deixado no local. O valor roubado não foi informado pela empresa de transporte de valores.

Na ação, o soldado da PM Erik Henrique Ardenghe, de 28 anos, acabou baleado e morto pelo grupo durante perseguição a uma caminhonete que, mais tarde, descobriu-se pertencer a uma usina de açúcar, sem qualquer envolvimento com a ação.

Outros assaltos
O primeiro caso na região ocorreu em agosto de 2015, quando os suspeitos em três carros, entre eles uma Land Rover com o vidro blindado, atiraram contra um carro-forte da Protege na SP-338, entre Mococa (SP) e Cajuru (SP).

O motorista do veículo, Wladimir Martinez, de 49 anos, foi baleado e morreu no local. Em seguida, os assaltantes usaram dinamite para explodir as portas do blindado. Outros dois vigilantes ficaram feridos. Cerca de R$ 1 milhão foi roubado.

Vigilante ficou ferido durante explosão de carro-forte em Guatapará, SP (Foto: Fábio Júnior/EPTV)

Na fuga, a quadrilha se deparou com um comboio da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), que levava 41 presos de Casa Branca (SP) para Serra Azul (SP). O bando fugiu nos dois veículos do Estado, levando os detentos, que foram libertados.

Em novembro do mesmo ano, oito homens fortemente armados explodiram outro carro-forte da Protege na Rodovia Antônio Machado Sant’Anna, em Guatapará (SP). Um dos seguranças do veículo, de 33 anos, também foi baleado e morreu na hora.

Os homens fecharam a via e pararam todos os motoristas que passavam pelo local. O carro de um taxista foi roubado e usado na fuga dos assaltantes. Próximo a Serrana (SP), uma viatura da polícia tentou parar o táxi, houve troca de tiros, mas o grupo fugiu.

Carro-forte foi abordado por suspeitos no quilômetro 266 da Rodovia Anhanguera (Foto: Paulo Souza/EPTV)

Por fim, em abril do ano passado, uma quadrilha explodiu e roubou o terceiro carro-forte da Protege na Rodovia Anhanguera (SP-330) em Luiz Antônio (SP). Um dos seguranças que transportava o dinheiro foi baleado e outro ficou ferido.

Um caminhoneiro também sofreu ferimentos depois que os assaltantes atiraram contra o veículo dele. Os suspeitos conseguiram explodir o cofre e fugiram sentido capital paulista, levando os malotes que estavam sendo transportados.

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