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‘Câmara destruiu medidas e aprovou lei a favor da corrupção’, diz Deltan

Ao serem anunciados como vencedores do Prêmio Anti-Corrupção da Transparência Internacional em 2016, a força-tarefa da Lava Jato afirmou passar pelo momento mais crítico em dois anos da operação, com o “esvaziamento” das dez medidas pela Câmara dos Deputados, e recebeu manifestações de apoio da organização.

Integrantes da Transparência produziram uma faixa, antes do evento, com a frase “Não a intimidação à Lava Jato”, aberta enquanto o coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, fazia um discurso de agradecimento ao prêmio.

O presidente da transparência Internacional, José Ugaz, segurou uma folha de papel com a frase “Contra à destruição das dez medidas”. A Lava Jato foi selecionada como vencedora entre os 580 trabalhos inscritos ao redor do mundo.

Respondendo por todos os procuradores presentes no evento, o coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol afirmou que a investigação nunca correu tanto risco. Segundo ele, sofreu o seu maior golpe nesta semana “enquanto o país chorava pelo morte dos jogadores da chapecoense”.

Na madrugada desta quarta (30), durante mais de sete horas de sessão, os deputados alteraram o pacote que reúne um conjunto de medidas de combate à corrupção, propostas pelo Ministério Público Federal e avalizadas por 2 milhões de assinaturas de cidadãos ao serem encaminhadas ao Congresso Nacional.

“Esta semana, quando uma tragédia profunda mergulhou o país em um mar de sofrimento, homens sem misericórdia colocaram em curso uma estratégia cruel. Enquanto o Brasil estava de luto pelo acidente aéreo que matou dezenas de jogadores de futebol e enquanto as manchetes estavam cheias de dor, Deputados da Câmara trabalharam durante a noite para fazer o mais forte ataque a Lava Jato ao longo de mais de dois anos de vida”, afirmou Dallagnol em seu discurso.

Sem citar o nome da Odebrecht, Deltan afirmou que parte da reação à Lava Jato seria motivada pela deleção da empreiteira, fechada também na semana passada, e que deverá ampliar os escopo da operação.

Deltan voltou a afirmar que os procuradores da Lava Jato podem renunciar ao cargos se o texto que passou pela Câmara também for aprovado no Senado e citou até a tentativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de acelerar a tramitação do projeto também nesta semama.

“O presidente do Senado tentou aprová-lo no mesmo dia, mas os senadores recuaram sob uma forte reação da opinião pública. Agora, o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados ainda está sujeito à aprovação do Senado”, afirmou Deltan. Na sua visão, há um espírito de auto preservação em andamento na Casa.

Dedicando o prêmio aos “cidadãos aos brasileiros”, o procurador fez um apelo à sociedade brasileira e à comunidade internacional para “assumirem uma posição forte por meio de canais democráticos e pacíficos que possam despertar o Congresso para o fato de que ninguém – nem mesmo o Congresso – está acima do Estado de Direito”.

“Vocês, o povo, são a nossa força. Seus atos nos confortam quando nós sentimos que o teto está caindo sobre nossas cabeças. Essa é a razão pela qual nós não fomos ainda derrotados”, finalizou o procurador.

Ao blog, Deltan comentou o que chamou de “momento crítico da Lava Jato” e afirmou que a Câmara não só “destruiu” o pacote das dez medidas, como aprovou uma lei que trabalha a favor da corrupção. Ele estava acompanhado do procurador Paulo Roberto Galvão, também da Lava Jato.

O prêmio foi anunciado no Panamá durante a Conferência Internacional Contra a Corrupção (IACC), fórum que reúne chefes de Estado, a sociedade civil, o setor privado para buscar ferramentas no enfrentamento da corrupção.

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