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O futuro da televisão

No dia 25 de junho de 1967, os telespectadores que sintonizaram a rede britânica BBC viram algo incrível acontecer diante de seus olhos: os quatro garotos de Liverpool – eles mesmos, os Beatles – interpretando pela primeira vez a música “All We Need is Love”.

Ok, só esse “simples” fato já seria o suficiente para tornar um simples domingo de verão inglês em um dia histórico. Não fosse um pequeno detalhe que deixou boa parte do mundo boquiaberto: tudo foi feito ao vivo. Ou seja, a transmissão televisiva foi feita no exato momento em que a banda gravava nos famosos estúdios da Abbey Road, em Londres.

Utilizando tecnologia de transmissão via satélite, a difusão ocorreu simultaneamente em outros 26 países da América, Europa, África, Austrália, Japão e Escandinávia e foi vista por cerca de 350 milhões de pessoas. Era mais uma mágica da caixinha que encantou e conquistou o mundo inteiro.

Quase um ente querido

De lá pra cá, muita coisa mudou: as imagens ganharam cores, as telas aumentaram, afinaram, ficaram tão pequenininhas que cabem na palma da nossa mão. As opções de canais se multiplicaram e controlamos tudo sem sair do lugar, basta apertar uma tecla.
Com a popularização da internet reforçamos algo que já sabíamos: somos apaixonados por uma tela. A web nos deixou mais poderosos, diretores de nossa própria programação, decidimos o que queremos assistir aqui e agora. Mas será esse o início do fim de um casamento que dá certo há tantas décadas? De acordo com Mauricio Donato, diretor de TV e também professor e mestre em TV digital da Faculdade Cásper Líbero, a resposta é um sonoro não.

“Temos uma cultura muito forte de nos informar e nos divertir pela TV aberta. Além disso, uma relação de carinho com o televisor e seu o conteúdo. Prova é que, quando compramos um aparelho, dificilmente nos desfazemos dele. Passamos o antigo para o quarto, depois para a cozinha, até doar para alguém com quem mantemos laços afetivos. O brasileiro dificilmente descarta uma TV no lixo ou a encaminha para reciclagem”, analisa o professor da Cásper Líbero.

Só neste ano registrou-se um aumento de 7,5% no acesso à TV aberta – e muito se deve ao alto índice de desemprego no país. Outro dado importante: uma pesquisa realizada pela PwC Brasil aponta que o crescimento continua por mais alguns anos. Estima-se que os investimentos em publicidade na área devem aumentar 8,6% até 2020 no país.

Realidade tupiniquim

Isso significa que nada vai mudar e que vamos continuar assistindo TV quase como na Idade da (novela Selva de) Pedra? Calma, pessoal, não é bem sim. A verdade é que esse universo de sonhos esconde uma rede extremamente complexa, estamos falando de um combinado de produção, transmissão, tecnologias, leis e padrões culturais que impactam diretamente na nossa maneira de consumir conteúdos televisivos.
“A médio prazo, não há nada muito futurístico por parte dos fabricantes. Podemos acompanhar isso nas feiras de tecnologia que acontecem todos os anos. Entretanto, algumas novidades vão alegrar bastante os apaixonados por uma boa imagem na tela”, comenta Marcelo Parada, professor de engenharia elétrica da FEI.

Tá curioso? Vem com a gente e sintonize nas principais tendências:

Pixels para dar e vender

Quando o assunto é resolução de tela, anote aí: full HD é passado, 4K é realidade e 8k é futuro. “Os televisores estão cada vez maiores, com isso os pontos que formam a imagem na tecnologia full HD se tornaram perceptíveis. Essas novas resoluções vieram para corrigir isso”, explica Marcelo.
Aparelhos em 4K, cujas imagens são formadas por 8 milhões de pixels, já estão disponíveis no mercado. Entretanto, por restrições na lei, os canais abertos não podem realizar transmissões nessa tecnologia. “A própria Rede Globo já produziu material com essa resolução. Entretanto, a disponibilização é feita via Google Play”, explica Mauricio Donato.

Por isso, se você está pensando em comprar um televisor com essa resolução, fique atento, pois em aparelhos com mais de 42 polegadas a imagem full HD tende a “estourar”. A dica do professor da FEI é que ainda na loja você faça um “test drive” da imagem. Basta assistir a algum canal aberto para ver a realidade.

Já a primeira televisão com 8K de resolução, com mais de 33 milhões de pixels na imagem, foi apresentada em 2013, mas deve popularizar-se só próximo a 2020. A tecnologia é apontada como a resolução limite para um aparelho doméstico, devido a limitações do olho humano.

Explosão de cor

Não, não estamos falando de um caleidoscópio ou fogos, mas sim de HDR – High Dynamic Range. Ainda no quesito qualidade de imagem, essa é uma das tendências mais realistas para os próximos anos. “Trata-se de um dispositivo que permite ao aparelho reproduzir taxas maiores de contraste, aumentando a possibilidade de brilhos e reproduzindo com maior fidelidade a paleta de cores. A sensação é que a imagem explode na tela”, explica Marcelo Parada.
A novidade já tem provocado rebuliço na indústria cinematográfica, que tende a ganhar bastante com a novidade. A perspectiva é que ela se una aos fabricantes de TV para criar um selo que ateste o novo padrão, também chamado de Ultra HD Premium. Para se ter uma ideia dessa potência, uma TV convencional reproduz 8 bits, ou 16 milhões de cor. Já a nova tecnologia garante 10 bits, capacidade que representa 1 bilhão de tonalidades.

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