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Internado, Garotinho se recusou a ser examinado por peritos do MP

O ex-governador Anthony Garotinho, internado desde Hospital Quinta D’Or, na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio, se recusou a ser examinado por uma equipe de médicos peritos do Ministério Público na noite deste domingo (20).
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério Público (MP) informou que dois peritos do Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate) estiveram no hospital no domingo para avaliar o estado de saúde do governador. Diante da recusa por parte de Garotinho – e do aviso feito por policiais federais que ele, por decisão judicial, estaria incomunicável -, médicos do Gate chegaram à conclusão que o exame direto seria inadequado.
Mesmo assim, eles tiveram acesso à documentação médico-hospitalar do ex-governador. No parecer técnico, eles afirmam que “o governador estava respirando em ar ambiente, sem precordialgia, em boas condições clínicas e com os sinais vitais e todos os parâmetros dentro da normalidade”.
Segundo o MP, garotinho tinha 60% de obstrução no ramo descendente posterior da coronária direita. Um stent foi colocado no sábado para tratar a lesão. Segundo informações colhidas em reunião com os profissionais da Unidade Cardiointensiva do hospital, o tempo esperado de internação em casos semelhantes ao do ex-governador é de 24 horas na unidade cardiointensiva e 48 na unidade hospitalar.

Rosinha Garotinho exibe laudo que atesta problema cardíaco do marido (Foto: Káthia Mello/G1)

Rosinha Garotinho exibe laudo que atesta problema cardíaco do marido (Foto: Káthia Mello/G1)

O G1 questionou o MP se Garotinho pode vir a sofrer algum tipo de punição por ter se recusado a se submeter ao exame dos peritos – o órgão ainda não respondeu.
A perícia do Ministério Público fora determinada pelo juiz da 100ª Zona Eleitoral, Glaucenir Silva de Oliveira, para atestar o real estado de saúde de Garotinho, que foi hospitalizado após ser preso pela Polícia Federal, na última quarta-feira (16).
Em sua decisão, o magistrado afirmava que a perícia era necessária por causa da suposta inidoneidade do médico Marcial Raul Navarrete Uribe, que assumiu o caso do ex-governador na quarta-feira, após Garotinho passar mal e ser levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro da cidade.
Garotinho foi preso na última quarta, na operação Chequinho, da Polícia Federal, sob suspeita de usar o programa social Cheque Cidadão para comprar votos. Segundo sua defesa, ele passou mal após a prisão e foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. De lá, foi levado à força para a UPA de Bangu após uma decisão judicial que determinava sua transferência para o Complexo de Gericinó, em Bangu. Outra decisão, porém, liberou o ex-governador para tratamento em hospital particular pago por seu próprio bolso, e, posteriormente, prisão domiciliar.
Na opinião de Uribe, o político errou ao se recusar a ser examinado pela equipe do MP, que teve acesso a toda a documentação do caso de Garotinho e deve voltar ao hospital ainda nesta segunda-feira para concluir o trabalho e receber uma cópia do vídeo da angioplastia, que implantou um stent em um ramo da artéria coronária direita do ex-governador, que estava com 70% de obstrução.
“Acredito que o ex-governador se equivocou. Deveria ter sido examinado, aí mostrava por onde entrou o cateter, nenhum problema. Já fui médico perito e sempre interpretava muito mal quando alguém sonegava informação. Infelizmente eu não estava presente, pois o teria aconselhado a agir de outra maneira”, disse Uribe.
A mulher de Garotinho e atual prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, esteve no Quinta d’Or nesta segunda-feira e confirmou que o marido não foi examinado pelos peritos, segundo ela, porque o advogado do ex-governador não estava presente.
Rosinha disse ainda não entender a desconfiança do juiz Glaucenir sobre o estado de saúde de seu marido, já que há laudos assinados por três médicos e também confirmou que Garotinho deve receber alta médica nesta terça-feira (22).
Marcial Uribe afirmou que a suspeita do magistrado de Campos se deve a “questões políticas” e ressaltou que sua atuação no caso está encerrada de modo satisfatório, já que seu diagnóstico preliminar acabou confirmado posteriormente.
“Desde a quarta-feira, quando o examinei na sede da Polícia Federal, já suspeitei de alguma obstrução arterial. O exame no Souza Aguiar confirmou meu diagnóstico e destacou ser necessária a realização de uma cineangiografia, conhecida vulgarmente como cateterismo, para avaliar a extensão do problema. Esse exame foi feito na equipe do hospital Quinta d’Or, por uma equipe especializada. Eu apenas acompanhei o procedimento e o resto são questões políticas, que não pratico e nas quais não me meto”, explicou o médico.

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