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Facção de SP alicia traficantes cariocas para ampliar atuação no RJ

Uma facção criminosa de São Paulo está aliciando bandidos no Rio de Janeiro. E oferece vantagens para convencer os rivais a entrar na quadrilha.

Algumas dessas conversas por telefone foram gravadas pela Polícia Civil do Rio com autorização da Justiça.

_ Aliciador: Você aceitou entrar de coração, Oscar?

_ Aliciado: De coração, de coração, com certeza.

_ Aliciador: Você leu o estatuto aí, do primeiro ao décimo-oitavo item? Você teve entendimento total, irmão?

_ Aliciado: Tive entendimento sim, com certeza.

O que parece uma entrevista de emprego é uma tentativa de recrutar criminosos. A Polícia Civil do Rio investigou o trabalho de aliciadores da quadrilha paulista durante oito meses. E gravou conversas com autorização da Justiça.

_ Aliciador: Eu vou pegar seus dados, seu nome completo. Eu tenho o maior prazer de ser seu padrinho também.

A quadrilha quer ser a única fornecedora de drogas para os traficantes do estado do Rio. E para isso, facilita o pagamento.

_ Aliciador: O comando vai mandar mercadoria para você fiado. Você vai ter 15 dias para pagar. Se você precisar de uma arma, alguma coisa, você pode pedir emprestada para o comando para você para um “corre”, fazer um assalto.

A investigação mostrou que na oferta para tirar bandidos de outras facções criminosas tem até prêmios.

_ Aliciador: Nós também faz rifa que concorre a carro, concorre a moto, tudo feito pela Loteria Federal.

Os bandidos que caem na conversa passam a pagar uma mensalidade.

_ Aliciador: Esses R$ 400 é revertido em ajudar todos os seus irmão que tá preso no sistema carcerário. Que é para pagar advogado, que é pagar tudo. Com certeza, eu mesmo já vou mandar um advogado da família mexer nos processo de vocês, irmão.

Se entrar para a quadrilha tem um preço, sair pode custar ainda mais caro.

_ Aliciador: Não pode fazer parte de nenhuma outra facção, que isso pode até ser pago com a vida, que nós pode ver isso como traição.

A investigação revelou também que a quadrilha de São Paulo quer chegar ao Rio sem provocar confrontos. Em vez de tentar eliminar rivais, o bando quer tirar deles apoio e territórios.

O delegado que está à frente das investigações diz que a quadrilha paulista já domina a venda de drogas em muitas cidades do litoral e interior do estado. No Rio, teria, pelo menos, 80 aliados. “Foi uma maneira mais discreta de ocupar regiões estratégicas, sem chamar muita atenção, e facilitando a distribuição de armas e drogas”, explica o delegado Antenor Lopes Júnior.

O aliciador diz que a quadrilha pode oferecer proteção além do território onde os criminosos atuam.

_ Aliciador: Em todo canto do Brasil você vai ter irmão seu. Lá no Ceará, lá na Paraíba, no Rio Grande do Norte e nos quatro país: no Paraguai, na Bolívia, na Colômbia e na Venezuela.

Mordomias em penitenciárias também são uma forma de seduzir.

_ Aliciador: Tem dois pão com cafezão com leite de manhã. Aqui vem aqui um bife feito à tarde. Aí, de noite vem um frango frito. No outro dia vem outra mistura diferente, nunca repete mistura.

“Ela é uma quadrilha mais organizada, no entanto, seus criminosos são de altíssima periculosidade, tão cruéis e perversos quanto os que atuam aqui no estado do Rio de Janeiro”, diz o delegado Antenor Lopes Júnior.

Os sete aliciadores já identificados pela polícia são presidiários e faziam as ligações livremente de dentro da cadeia. Agora, foram indiciados também por associação para o tráfico e organização criminosa. Se condenados, podem ganhar, pelo menos, mais dez anos de prisão.

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