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Centrinho da Unesp de Araçatuba recebe equipamento para “enxergar” veias

Aparelho de última geração facilita o atendimento de pacientes especiais e foi obtido por meio de doação

Kaike, de 11 anos, entra sorridente em um dos consultórios do CAOE (Centro de Assistência Odontológica à Pessoa com Deficiência), mais conhecido como “Centrinho”, da Unesp de Araçatuba. Acompanhado pela mãe, o garoto, que é deficiente intelectual, cumprimenta os profissionais de saúde que estão na sala e se senta em uma das cadeiras odontológicas.

Normalmente ele se queixaria das agulhadas necessárias para conseguir acesso a uma de suas veias, por onde recebe sedativos durante o tratamento dentário. O procedimento é necessário apenas em alguns casos, quando o paciente não é cooperativo, ou seja, não consegue ficar paradinho, colocando em risco a segurança e o sucesso do tratamento.

Mas, desta vez, Kaike não reclama. Ele fica absorvido por uma imagem impressionante: uma das enfermeiras direciona uma luz vermelha para um dos braços do garoto e todos conseguem visualizar as veias debaixo da pele. “É visão de raios-X”, brinca a enfermeira. Com essa facilidade, a agulha é aplicada com apenas um movimento e Kaike recebe o soro e os medicamentos necessários.

Scanner de veias

A luz que chamou a atenção do garoto é o mais novo equipamento disponível no CAOE para o atendimento de pacientes especiais: o scanner e localizador de veias, que está em uso há cerca de um mês. O equipamento foi desenvolvido nos Estados Unidos e, somente neste ano, começou a ser fabricado no Brasil.

A principal tecnologia utilizada é baseada em raios infravermelhos que escaneiam a pele e geram uma imagem do padrão venoso disponível na parte do corpo escolhida para a punção. O sangue absorve os raios infravermelhos, que são refletidos no tecido subcutâneo (logo abaixo da pele).

Na prática, como brincou a enfermeira, a sensação de quem visualiza o equipamento em ação é que se trata, realmente, de visão de raios-X, como na ficção. O local da pele que recebe a luz vermelha se transforma em um mapa com todas as veias absolutamente visíveis, um sonho para qualquer profissional de saúde que realiza punções.

O equipamento é portátil, do tamanho de um secador de cabelos, e funciona à bateria. Mas, como toda novidade tecnológica, o preço é bem salgado, cerca de R$ 30 mil. “O aparelho chegou a nós por meio de uma doação”, explica a professora doutora Alessandra Marcondes Aranega, Supervisora do CAOE. “A Assepae (Associação Pró-estudo, Pesquisa e Assistência à Pacientes Especiais), que é formada por funcionários do CAOE, elaborou um projeto e apresentou para a Ação Social Cooperada, uma iniciativa da rede SicoobCredicitrus e Coopercitrus para projetos sociais, que doou o equipamento”, explica.

Beneficiados

O scanner e localizador de veias é usado no atendimento de pacientes que possuem deficiências e não cooperam com o tratamento. Por isso, precisam ser sedados. “Muitos desses pacientes são pessoas de baixo peso, com veias finas e, por isso, são necessárias muitas picadas para conseguir fazer a medicação”, explica a Supervisora do CAOE. “Na hora do atendimento, quando o paciente está em uma situação de estresse, ‘pegar uma veia’ fica ainda mais difícil”.

A supervisora afirma ainda que, além da agilidade no atendimento, o equipamento impede que a agulha seja mal colocada e ocorra o vazamento de medicação para fora da veia. “Esses pacientes têm muita interação medicamentosa, ou seja, eles já tomam muitos medicamentos sedativos. Por isso, a dose que aplicamos para sedação tem de ser exata, para não chegar a um nível tóxico. O novo equipamento também ajuda neste aspecto”.

Todos os dias, quatro pacientes com esse perfil são atendidos no CAOE, uma média de 80 por mês, que já estão sendo beneficiados pelo equipamento. Um deles é o filho da dona Marly Nascimento, o Kaike, que ficou encantado com a luz vermelha em seu braço. A mãe, que sempre acompanha os atendimentos, ficou satisfeita com a novidade e identificou rapidamente um dos principais benefícios do novo aparelho: o Kaike sentiu menos dor.

Serviço

Para que um paciente especial seja atendido pelo CAOE a família ou instituição de saúde que presta assistência a esse paciente deve entrar em contato com a recepção pelos telefones (18) 3636-2753, (18) 3636-2832 ou pelo [email protected], para receber informações sobre os documentos necessários para a realização da triagem.

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